O uso da tecnologia em sala de aula, a prática musical e o cultivo de uma horta escolar estão mudando a rotina de estudantes da Escola Estadual Sebastião Santana de Oliveira, localizada no bairro José Abrão, em Campo Grande. Com projetos que unem diferentes áreas do conhecimento, a unidade busca tornar o aprendizado mais próximo da realidade dos alunos e estimular o desenvolvimento de habilidades que vão além do conteúdo tradicional.
A experiência foi acompanhada pelo governador Eduardo Riedel nesta segunda-feira (22), durante visita à escola. A unidade passou por uma ampla reforma e recebeu investimentos superiores a R$ 9,3 milhões, destinados à modernização da estrutura física e à criação de espaços voltados para atividades práticas.
Durante a visita, o governador destacou a organização da escola e a qualidade dos ambientes oferecidos aos estudantes.
“Estou impressionado com a escola e com os alunos. A estrutura é ótima e tudo acontece de maneira muito organizada. Atender a todos é o nosso objetivo”, afirmou.
Atualmente, a escola atende cerca de 300 estudantes, do 5º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio.
Tecnologia aproxima alunos do conhecimento
Nas aulas de artes, os recursos tecnológicos passaram a fazer parte da metodologia de ensino. A estudante Amanda Nogueira Bispo, de 12 anos, conta que o uso do laboratório de informática tornou mais interessante o estudo sobre o período renascentista.
“Eu gosto de aula assim, que envolve a gente. Isso facilita o aprendizado”, relatou.
Segundo a professora de artes e coordenadora da área de Linguagens, Leide Monteiro, a integração entre disciplinas amplia as possibilidades de aprendizagem.
“A tecnologia auxilia muito na minha disciplina, porque eu trabalho com imagens, eles têm que ver as obras”, explicou.
Outro destaque da escola é o projeto de robótica, que reúne conceitos de programação, física e matemática em atividades práticas. Recentemente, os drones passaram a integrar as experiências desenvolvidas pelos alunos.
Responsável pelas aulas de robótica, o professor Leonardo da Costa afirma que a proposta desperta o interesse dos estudantes ao permitir contato direto com aplicações tecnológicas.
“Inserimos recentemente os drones, e a gente já tinha programação. Tudo isso chama a atenção dos alunos. E várias disciplinas se encontram nas nossas aulas, como matemática e física. Os alunos passam a ver a ciência na prática, usam raciocínio lógico”, disse.
Aluno do 3º ano do ensino médio, Guilherme Miyagi, de 17 anos, participa do projeto há três meses e já planeja seguir carreira na área tecnológica.
“Eu gosto da área. Quero fazer engenharia da informação. Eu aprendi a programar, entender a linguagem da programação. Isso estimula muito qualquer área de conhecimento, matemática, física”, afirmou.
Banda e horta ampliam experiências dos estudantes
Além dos projetos tecnológicos, a escola também investe em atividades ligadas à música e à educação ambiental. A banda marcial reúne estudantes sem experiência prévia com instrumentos musicais, oferecendo formação desde os primeiros passos.
A aluna Sofia Franco, de 14 anos, integrante da banda há cinco anos, acredita que a atividade contribuiu para seu crescimento dentro e fora da escola.
“Eu acredito que desenvolve muita coisa, além do nosso cognitivo. Eu aprendi muito, a música e a banda contribuíram para isso”, contou.
O professor Brian Coronel destaca que muitos estudantes ingressam no projeto após assistirem aos ensaios.
“Eles começam do zero aqui. E muitos dos alunos chegam na banda porque viram algum ensaio aberto. Tocamos uma variedade grande de músicas e desperta o interesse dos demais para participarem”, explicou.
A horta escolar também se tornou espaço de aprendizado e convivência. No local, os alunos aprendem técnicas de cultivo sem utilização de agrotóxicos e participam de atividades ligadas à sustentabilidade.
Brain de Oliveira, de 15 anos, decidiu ingressar no projeto neste ano para aprender mais sobre o plantio.
“Eu comecei a partir do projeto este ano porque senti interesse em descobrir como se faz o plantio de algo. Gostei muito por ser uma horta totalmente natural”, disse.
De acordo com o diretor Domingos Nogueira, a participação dos estudantes ocorre de forma voluntária, respeitando interesses e aptidões individuais.
“O aluno fica livre para escolher e a gente direciona de acordo com o que ele demonstra interesse, além do talento ou afinidade. No caso da horta, alguns dos nossos alunos são da área rural, por isso acabam se envolvendo, ajudando e contribuindo para o aprendizado dos demais”, explicou.
A conservação da unidade também faz parte do processo educativo. Segundo o diretor, a comunidade escolar foi orientada desde o início sobre a importância de preservar o patrimônio público.
“Nós estabelecemos regras e explicamos tudo para os alunos no início do ano letivo. A conservação da escola é resultado do respeito ao bem público, ao patrimônio. É um bem de todos e precisa ser cuidado”, afirmou.
A Escola Estadual Sebastião Santana de Oliveira integra a Rede Estadual de Ensino, que atualmente atende cerca de 190 mil alunos em Mato Grosso do Sul. Conforme o Governo do Estado, mais de R$ 1,2 bilhão já foram destinados à modernização da infraestrutura educacional, permitindo a revitalização de aproximadamente 70% das escolas estaduais, o equivalente a 240 unidades.













