O preço do café caiu em julho pela primeira vez depois de um ano e meio de aumentos consecutivos. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o café moído recuou 1,01% no mês. Apesar da trégua pontual, o grão ainda pesa no bolso do consumidor: acumula alta de 41,46% no ano e de 70,51% em 12 meses.
Entre os itens que mais influenciaram a inflação no período, o café aparece como o segundo maior responsável, respondendo por 0,30 ponto percentual dos 5,23% registrados pelo IPCA acumulado em 12 meses. Fica atrás apenas das carnes, que avançaram 23,34% e contribuíram com 0,54 ponto percentual.
De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, a queda registrada em julho está relacionada à colheita do grão, que aumentou a oferta do produto. “Já estava começando a colheita, uma oferta maior no campo. Pode ser efeito dessa maior oferta”, explicou. Ele destacou que o recuo não tem ligação com o tarifaço imposto recentemente pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. “São números de julho”, disse Gonçalves, lembrando que a sobretaxa de 50% passou a valer apenas no último dia 6.
Na avaliação do analista, a nova tarifa americana pode gerar impactos futuros caso os produtores brasileiros não encontrem outros mercados compradores. Se isso ocorrer, haverá excesso de oferta no país, o que tende a reduzir ainda mais os preços internos. “Tendo uma oferta maior do produto, a tendência é redução de preços”, acrescentou.
A escalada do café nos últimos 18 meses foi impulsionada por fatores climáticos que afetaram a safra, além do crescimento da demanda internacional. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o consumo global aumentou no período, com destaque para a China, onde a procura pela bebida cresceu de forma acelerada, pressionando o mercado.
Mesmo com a queda de julho, o cenário aponta que o café seguirá sendo um dos principais itens de peso na inflação brasileira, refletindo tanto a dinâmica do campo quanto os efeitos das relações comerciais no exterior.













