A tarifa de ônibus em Campo Grande pode ter um salto histórico nas próximas semanas. O Consórcio Guaicurus acionou a Justiça pedindo o reajuste da chamada tarifa técnica de R$ 6,17 para R$ 7,79, o que elevaria o valor pago pelo usuário de R$ 4,95 para R$ 6,23. O argumento central é a dívida de R$ 8,4 milhões acumulada pela Prefeitura, referente a subsídios mensais não repassados. O consórcio afirma estar em “situação financeira gravíssima” e solicita decisão liminar para que a correção seja aplicada em até 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 200 mil.
O pedido se apoia em um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) firmado com o Tribunal de Contas do Estado, que reconheceu a validade da tarifa de R$ 7,79 já determinada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Apesar de o processo principal ainda não ter sido concluído, a cláusula que prevê o reajuste segue vigente, segundo manifestação do próprio TCE.
O aumento de 26,2% na tarifa técnica, se confirmado, recairia diretamente sobre o bolso da população. O sistema de transporte coletivo da Capital atende milhares de passageiros diariamente e já enfrenta reclamações sobre atrasos, frota envelhecida e falta de investimentos. A possibilidade de nova alta reacende o debate sobre a dificuldade de financiar o transporte público sem repasses regulares do Município.
Descobre um santo para cobrir outro
A pressão no setor ocorre em um momento em que a prefeita Adriane Lopes (PP) tenta mostrar resultados em outras áreas. Para marcar os 126 anos de Campo Grande, a gestão municipal vem inaugurando e anunciando diversas obras de revitalização, como a recuperação praças e unidades de saúde da família em diferentes regiões e a reforma do Centro Regional de Saúde do Aero Rancho.
Apesar das inaugurações, parte da população se mostra insatisfeita. Usuários da rede pública de saúde relatam a falta de medicamentos básicos nas farmácias municipais, um problema que já se prolonga há meses, o que obriga muitos a recorrerem ao setor privado. O contraste entre as obras de infraestrutura e a ausência de soluções para problemas cotidianos reforça a percepção de que, ao tentar avançar em uma frente, a administração deixa lacunas em outras.
Com a disputa judicial sobre a tarifa de ônibus, o transporte coletivo se soma à lista de desafios que marcam a gestão de Adriane Lopes. Se por um lado a prefeitura busca evidenciar obras e revitalizações, de outro enfrenta o desgaste de dívidas, atrasos e demandas urgentes em serviços essenciais. No fim, é o cidadão que pode acabar pagando a conta, seja na farmácia desabastecida ou no aumento da passagem.
Com informações O Jacaré













