Na 14ª edição, projeto da Escola José Maria Hugo Rodrigues resgata o gosto pela leitura com arte, teatro e música no salão do Cotolengo Sul-Mato-Grossense
Jornada de Linguagens celebra cultura e criatividade entre alunos da rede estadual
Foto: Willian Oliveira / VW Comunicação

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Em tempos de hiperconexão digital, a Escola Estadual José Maria Hugo Rodrigues reafirma a força da literatura e da arte como caminhos de formação e transformação. A 14ª edição da Jornada de Linguagens, realizada neste ano no salão do Cotolengo Sul-Mato-Grossense, na Mata do Jacinto, emocionou alunos, professores e convidados com um verdadeiro espetáculo cultural promovido por estudantes dos três turnos.

O projeto, criado em 2011 pela professora Greicy Kelly Menezes, homenageou em 2025 dois ícones da literatura brasileira: Ariano Suassuna e Graciliano Ramos. Os estudantes mergulharam nas obras dos autores para criar peças teatrais, poesias, músicas e paródias — muitas delas inspiradas em clássicos da MPB, como Luiz Gonzaga e Chico Buarque.

A ex-diretora da escola, professora Marly Pedão, que atuou na unidade de 1997 a 2016, destacou a importância do evento em um contexto dominado por telas:

“Como você disse, realmente na geração do celular se torna mais difícil alcançar os estudantes com o livro da literatura brasileira. Obras como O Auto da Compadecida e Vidas Secas são complexas para o entendimento dos estudantes que perderam o hábito da leitura. Mas com as novas leis federais e locais, que reconhecem que o celular muitas vezes atrapalha o processo de aprendizagem, percebemos uma mudança. A biblioteca foi revigorada, e o uso do livro aumentou. Tivemos que adquirir mais fichas de empréstimo, tamanha a procura. Ver esse retorno à leitura, à música e ao teatro é muito gratificante. E mais ainda, ver jovens de 15 a 18 anos abraçando a literatura e escolhendo músicas de Chico Buarque e Luiz Gonzaga como base para suas paródias — isso mostra um reconhecimento à cultura nacional que emociona.”

A coordenadora do projeto, professora Euzênia Góes (a “Zen”), também falou sobre o impacto:

“A leitura transforma. Vimos um dia em que o mundo digital deu lugar ao contato real, à criatividade, ao olho no olho. O celular ficou de lado, e a arte assumiu o protagonismo. Isso é educação de verdade.”

A programação incluiu apresentações teatrais que resgataram formatos antigos, como o teatro de pano, além de intervenções poéticas e musicais. A criatividade, o domínio dos conteúdos literários e o engajamento dos alunos foram destaques elogiados pelo júri, composto por profissionais da educação e da cultura local.

O músico e radialista Irwing Ferreira, um dos jurados convidados, resumiu:

“A escola pública tem um papel cultural imenso. Esse projeto é uma prova viva disso. Fui surpreendido pelo talento e pela entrega desses jovens. Isso aqui é mais que arte: é cidadania, é formação.”

Uma das falas mais emocionadas da edição veio da ex-aluna Ennesli Granjeiro, que participou da primeira Jornada de Linguagens e voltou este ano como jurada:

“A coisa mais bela que a gente tem é quando uma escola acredita no aluno. Essa jornada é uma descoberta de talentos — dos alunos e dos professores. Participei da primeira edição, ganhamos com a minha turma, e ver que tudo continua, com esse mesmo brilho, é emocionante. Me vi ali nos estudantes, no nervosismo, na dedicação. É um trabalho de alma, de coração. Que dure mais 14 anos.”

A 14ª Jornada de Linguagens mostra que, mesmo na era digital, a literatura, a música e o teatro seguem vivos — e pulsando nas escolas públicas que acreditam no poder transformador da arte e da educação.

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SOBRE O AUTOR

Foto de Vivianne Nunes

Vivianne Nunes

Vivianne Nunes, jornalista, empresária VW Comunicação, radialista, apresentadora do programa Rádio Livre da FM 104,7 e do Podcast Guia +Saúde!

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