Relatório nacional aponta oito estruturas vulneráveis em Campo Grande, Dourados, Corumbá e Sidrolândia
Oito barragens em MS correm risco de rompimento, aponta relatório nacional
Lago do Amor, na Capital, tem sofrido rompimentos constantemente. Foto: Divulgação

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Oito barragens com alto risco em MS foram identificadas em relatório da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado nesta quarta-feira, 2 de julho. As estruturas estão localizadas em Campo Grande, Dourados, Corumbá e Sidrolândia e foram classificadas com alto risco estrutural e alto dano potencial associado — o que indica possibilidade de rompimento e graves consequências à população e ao meio ambiente.

Na Capital, a situação mais crítica envolve a barragem do Lago do Amor, pertencente à UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que já teve dois rompimentos parciais em menos de dois anos. O mais recente, ocorrido em março, abriu uma cratera e destruiu parte da Avenida Filinto Müller após forte chuva. O caso está sob investigação do Ministério Público Federal.

Sidrolândia concentra o maior número de estruturas críticas

Segundo o relatório, Sidrolândia lidera a lista com três barragens em risco, todas vinculadas ao Incra: Barragem 1 – Grande, Barragem 2 e Barragem 3. Campo Grande também tem em risco a barragem da Incorporadora Atlântico S/S Ltda., no Ribeirão das Botas.

Em Corumbá, a preocupação gira em torno da Barragem Sul da Vetria Mineração, que contém rejeitos no Córrego Urucum. Já em Dourados, a estrutura que causa alerta é a do Parque Arnulpho Fioravante, situada em área urbana e com classificação elevada de risco e dano.

As classificações são feitas com base em dois critérios técnicos: a Categoria de Risco (CRI), que avalia a chance de falha, e o Dano Potencial Associado (DPA), que mede os impactos em caso de rompimento, como destruição de moradias, contaminação de cursos d’água e risco à vida humana.

Oito barragens em MS correm risco de rompimento, aponta relatório nacional
Lago do Parque Arnulpho Fioravante, em Dourados, é um dos que oferecem risco. Foto: Dourados Agora

Fiscalização é limitada e orçamento é escasso

Mato Grosso do Sul possui 2.690 barragens cadastradas no Sistema Nacional de Segurança de Barragens, com predominância nos municípios de Ribas do Rio Pardo (219), Água Clara (174), Três Lagoas (141), Brasilândia (135) e Naviraí (123). A maioria é utilizada para irrigação, abastecimento de água e atividades industriais.

Apesar da grande quantidade, o relatório aponta falhas recorrentes na fiscalização. Em 2024, houve uma queda de 7% no número de inspeções em relação ao ano anterior, atribuída à escassez de profissionais e à falta de orçamento específico para monitoramento. A própria ANA alerta que estruturas sem classificação de risco podem apenas refletir ausência de dados, não segurança garantida.

Brasil registra aumento de acidentes em barragens

No cenário nacional, o relatório de 2024 já contabiliza 24 acidentes e 45 incidentes com barragens, com duas mortes confirmadas. O Rio Grande do Sul, que sofreu com enchentes históricas neste ano, concentrou a maioria dos casos.

Mesmo diante desse panorama, Mato Grosso do Sul não está entre os estados com barragens consideradas prioritárias — aquelas que descumprem normas da Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) e representam ameaça imediata à população.

Criada pela Lei nº 12.334/2010, a PNSB define diretrizes para prevenir tragédias ambientais e humanas. O relatório da ANA serve de referência para a atuação dos órgãos fiscalizadores e das entidades responsáveis pela manutenção e segurança das barragens. A expectativa é que os dados atualizados acelerem medidas preventivas e ampliem a capacidade de resposta dos gestores públicos.

SOBRE O AUTOR

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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