Dados do TJMS apontam que agressões seguem concentradas dentro de residências, atingem majoritariamente mulheres adultas e se espalham por quase todo o Estado
Violência doméstica marca início de 2026 em MS, com quase 500 mulheres vitimadas em apenas dez dias
Foto: Marcos Santos/USP

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Os primeiros dias de 2026 acenderam um sinal de alerta em Mato Grosso do Sul. Um levantamento do Tribunal de Justiça do Estado (TJMS) revela que 478 mulheres foram vítimas de violência doméstica entre 1º e 10 de janeiro, um recorte temporal curto, mas suficiente para expor a dimensão e a persistência do problema.

O mapeamento mostra que a violência não se restringe a casos isolados nem a regiões específicas. Apenas 15 dos 79 municípios sul-mato-grossenses não registraram ocorrências no período, o que evidencia a capilaridade do crime e a dificuldade de enfrentamento em escala estadual.

Capital concentra maior volume de denúncias

Campo Grande aparece como o principal polo de registros. Na capital, 155 mulheres recorreram ao sistema de Justiça nos primeiros dez dias do ano para relatar agressões ocorridas, em sua maioria, no ambiente doméstico.

O dado reforça a pressão sobre a rede de proteção urbana, que concentra maior volume populacional, mas também reflete a subnotificação em municípios menores, onde o acesso aos canais formais de denúncia costuma ser mais limitado.

Mulheres adultas são as principais vítimas

O perfil etário das vítimas segue um padrão já conhecido pelos órgãos de Justiça. A maior parte das mulheres agredidas tem entre 30 e 59 anos, faixa etária que concentra relações conjugais mais longas e dependência econômica em muitos casos.

Na sequência aparecem jovens de 18 a 29 anos, mas os dados também revelam que a violência doméstica atravessa gerações. No período analisado, foram identificadas 39 idosas, 14 adolescentes e quatro crianças entre as vítimas.

Recorte racial mantém padrão histórico

O levantamento do TJMS indica que a maioria das vítimas se declarou parda, totalizando 267 registros. Mulheres brancas aparecem em seguida, com 119 casos, enquanto 36 vítimas se identificaram como pretas. Também houve registros envolvendo mulheres indígenas (12) e amarelas (2). Em 42 ocorrências, a informação racial não foi declarada no momento da denúncia.

O recorte repete tendências observadas em anos anteriores e reforça desigualdades estruturais associadas à vulnerabilidade social e ao acesso a políticas públicas.

Casa segue como principal cenário da violência

O ambiente doméstico permanece como o espaço mais perigoso para as vítimas. Mais de 60% das ocorrências (303 casos) aconteceram dentro de residências, cenário que dificulta a intervenção imediata e amplia o ciclo de agressões silenciosas.

Ainda assim, o problema extrapola os muros do lar. Outras 78 ocorrências foram registradas em vias públicas, indicando que a violência doméstica também se manifesta em espaços coletivos, com potencial risco ampliado.

Comparação com 2025 reforça alerta

Para efeito de comparação, janeiro de 2025 terminou com 1.961 vítimas de violência doméstica em Mato Grosso do Sul, sendo 744 apenas em Campo Grande. Embora os números de 2026 ainda se refiram a um recorte inicial, o ritmo das ocorrências aponta para a manutenção de um patamar elevado.

Os dados reforçam a necessidade de ações contínuas de prevenção, fortalecimento da rede de acolhimento às vítimas e respostas efetivas do sistema de Justiça para conter a reincidência dos crimes.

SOBRE O AUTOR

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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