Estrutura entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta avança para o fechamento definitivo e reforça papel estratégico do Corredor Rodoviário de Capricórnio no comércio internacional
Ponte da Rota Bioceânica entra na reta final e promete reduzir em até 23% o tempo de exportação para a Ásia
Foto: Saul Schramm/Secom MS

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A Ponte Internacional da Rota Bioceânica, elo físico entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, alcança uma das fases mais simbólicas da obra: faltam cerca de 101 metros para o fechamento total da estrutura. A chamada aduela de fechamento, etapa técnica que conecta definitivamente os dois lados da ponte, deve ser concluída até o fim de maio, segundo responsáveis pela construção.

Com 1.294 metros de extensão e 21 metros de largura, a ponte estaiada é considerada peça central da Rota Bioceânica. O empreendimento integra o Corredor Rodoviário de Capricórnio e reposiciona Mato Grosso do Sul na geografia logística da América do Sul.

Infraestrutura de alta engenharia

Após o fechamento estrutural, a obra entra em uma etapa de ajustes técnicos essenciais para a operação plena. Serão instalados cabos de aço embutidos na laje de concreto armado para consolidar a união física entre Brasil e Paraguai. Também está previsto o retensionamento dos 168 estais que sustentam o vão central, além da instalação de 168 amortecedores destinados a garantir estabilidade estrutural.

Os dois pilares principais e os cabos receberão sensores eletrônicos capazes de monitorar cargas em tempo real. O sistema enviará dados contínuos a computadores que acompanham o comportamento da ponte diante da passagem de veículos e de eventuais variações estruturais. Monitoramento em tempo real é um dos diferenciais do projeto.

Na fase seguinte, entram em execução a iluminação fluvial para assegurar navegação segura no Rio Paraguai, acabamento do piso, instalação de grades de proteção e implantação de ciclovia. Depois disso, serão realizados asfaltamento, pintura, sinalização viária e iluminação ornamental. A entrega completa da estrutura está prevista para agosto de 2026.

Impacto logístico e integração continental

A nova ligação internacional é considerada estratégica para consolidar a Rota Bioceânica como alternativa de exportação e importação no Mercosul. O corredor conecta o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, como Antofagasta e Iquique, passando por Paraguai e Argentina até alcançar o Pacífico.

A estimativa é que o Corredor Bioceânico reduza em mais de 9,7 mil quilômetros o trajeto marítimo das exportações brasileiras destinadas à Ásia. Em operações com destino à China, o tempo de transporte pode cair até 23%, representando economia de 12 a 17 dias por viagem. Redução de tempo e custo logístico estão no centro do projeto.

Além da ponte e de seus acessos, o plano inclui a construção de estruturas alfandegárias integradas nos dois lados da fronteira. Segundo a Receita Federal do Brasil, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, com potencial de crescimento conforme a rota se consolide como eixo logístico internacional.

SOBRE O AUTOR

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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