A onda de frio que atingiu Mato Grosso do Sul nas últimas semanas já deixou um rastro de prejuízos em propriedades rurais da região sul do Estado. Pelo menos 83 bovinos morreram após enfrentar uma combinação de chuva persistente, ventos fortes, geada e queda brusca de temperatura, conforme notificações encaminhadas à Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal) até terça-feira (19).
Os registros apontam que quatro fazendas localizadas na região de Nova Andradina contabilizaram a morte de 74 animais. Em Angélica, outro produtor rural informou a perda de nove bovinos após os episódios de frio extremo.
O cenário já havia motivado um alerta preventivo da Iagro no início do mês. Antes da chegada da primeira massa de ar polar, em 8 de maio, o órgão orientou pecuaristas sobre os riscos de hipotermia em animais expostos ao tempo sem estruturas adequadas de proteção.
A sucessão de dias chuvosos, temperaturas baixas e ventania criou condições consideradas críticas para parte do rebanho, principalmente em áreas abertas.
Além das mortes registradas, o frio também trouxe preocupação adicional para a atividade pecuária em Mato Grosso do Sul devido aos efeitos diretos sobre a alimentação animal.
Frio reduz qualidade das pastagens
Segundo a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), as geadas atingem principalmente gramíneas tropicais utilizadas na formação de pastagens, como as braquiárias. Com isso, há redução tanto da oferta quanto da qualidade nutricional da forragem disponível ao gado.
A diminuição do alimento disponível interfere no ganho de peso dos animais, reduz índices produtivos e amplia a vulnerabilidade sanitária dentro das propriedades.
Outro fator observado pelos produtores é o aumento do estresse térmico causado pelas baixas temperaturas. A condição compromete a imunidade dos bovinos e favorece problemas respiratórios, especialmente entre os animais considerados mais frágeis.
Entre os grupos mais suscetíveis estão bezerros recém-nascidos, vacas prenhes, bovinos idosos e animais submetidos recentemente a transporte, desmama ou manejo.
A Famasul também destaca que o período de inverno já provoca, naturalmente, desaceleração no crescimento das pastagens no Centro-Oeste. Com menos chuva, dias mais curtos e temperaturas reduzidas, a recuperação da vegetação utilizada na alimentação do rebanho se torna ainda mais lenta.














