Diante do avanço da chikungunya, a Prefeitura de Dourados formalizou nesta quinta-feira (2) a criação do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE). A medida ocorre em um cenário de pressão crescente sobre a rede de saúde, com 1.198 casos confirmados e cinco mortes registradas no município.
A nova estrutura foi instituída por decreto assinado pelo prefeito Marçal Filho e publicado em edição extra do Diário Oficial. O objetivo é centralizar decisões, organizar a resposta sanitária e ampliar a capacidade de enfrentamento à doença.
Surto avança e concentra casos em território indígena
Os dados mais recentes da Vigilância Epidemiológica indicam que o surto segue em expansão. Além dos casos confirmados, o município contabiliza 1.857 registros prováveis, incluindo notificações ainda em investigação. A taxa de positividade chega a 74,9%, indicador que sustenta a classificação do cenário como crítico.
A maior parte dos casos está concentrada nas aldeias Bororó e Jaguapiru, localizadas na Reserva Indígena de Dourados, onde o surto teve início. Das confirmações, 822 ocorreram nessas comunidades.
A gravidade do quadro já havia levado a administração municipal a decretar situação de emergência em saúde pública no dia 20 de março, medida que abriu caminho para ações mais rápidas e acesso a recursos.
Centro vai coordenar ações e decisões estratégicas
O COE passa a funcionar como núcleo de gestão da crise sanitária. A coordenação ficará a cargo da Secretaria Municipal de Saúde, com atuação integrada ao Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei).
Entre as atribuições estão o monitoramento contínuo dos casos, organização da rede de atendimento, coordenação da vigilância epidemiológica e articulação entre diferentes órgãos públicos. A estrutura também será responsável por divulgar informações técnicas à população e produzir relatórios periódicos sobre a evolução da doença.
O comitê reúne representantes de diversas frentes, incluindo Vigilância em Saúde, Atenção à Saúde, Gestão Operacional, Funsaud, secretarias municipais, Defesa Civil, Secretaria Especial de Saúde Indígena, Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Conselho Municipal de Saúde.
A proposta é garantir decisões baseadas em dados atualizados, identificar demandas emergenciais e direcionar recursos de forma mais eficiente durante o período de crise.
Recursos federais reforçam resposta imediata
No mesmo dia da criação do centro emergencial, o município teve aprovado o primeiro plano de trabalho voltado ao enfrentamento da chikungunya. A liberação foi feita pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e prevê o repasse de R$ 974,1 mil.
O valor será utilizado em ações emergenciais, ampliando a capacidade de resposta da cidade enquanto o COE permanece em funcionamento contínuo, com registros sistemáticos para acompanhamento das medidas adotadas.














