O Ministério Público de Mato Grosso do Sul abriu uma série de inquéritos para investigar graves crimes ambientais em Bonito, cidade referência em ecoturismo no Brasil. A 2ª Promotoria de Justiça do município apura, ao todo, quatro casos distintos que envolvem descarte ilegal de agrotóxicos, loteamento clandestino em área de preservação e assoreamento de rios considerados patrimônio natural da região.
As investigações começaram com base em relatórios da Iagro, Ibama e Polícia Militar Ambiental, além de laudos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em duas propriedades rurais, fiscais constataram armazenamento de agrotóxicos em galpões inadequados, sem contenção contra vazamentos, além da exposição de trabalhadores sem equipamentos de proteção. Em outra área, embalagens tóxicas foram descartadas de forma irregular ao lado de tanques de combustível a céu aberto.
Outro inquérito apura a venda ilegal de lotes em área rural às margens do rio Anhumas, na conhecida “Rodovia do Turismo”. O local abriga vegetação nativa e formações geológicas raras, e está fora de qualquer zoneamento urbano. Segundo o MPMS, o parcelamento irregular do solo sem licenciamento pode causar danos irreversíveis, como desmatamento, erosão e contaminação hídrica.
A quarta investigação envolve uma empresa que executava obras na MS-345, onde a ausência de sistema de drenagem pluvial adequado fez com que grande quantidade de terra escoasse para o rio Mimoso, provocando assoreamento. O rio é uma das principais atrações de Bonito, com relevância ecológica, turística e econômica. A empresa foi multada em R$ 100 mil e só teve a sanção suspensa após adotar medidas de reparação ambiental, como o plantio de vegetação nativa.
Mesmo com as ações corretivas iniciais, os inquéritos seguem em andamento. O MP busca responsabilizar os infratores e garantir a recuperação plena das áreas degradadas, evitando que o avanço desordenado e a negligência comprometam um dos maiores patrimônios ambientais do país.














