Com fase de oitivas encerrada, comissão vai aprofundar análise de documentos e apresentar relatório com responsabilidades e propostas para melhorar o transporte coletivo
CPI do Transporte Coletivo revela 40 km de linhas sem asfalto e 57 ônibus interditados na Capital
Foto: Izaias Medeiros/CMCG

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A CPI do Transporte Coletivo da Câmara Municipal de Campo Grande concluiu nesta quarta-feira (9) a fase de oitivas, após mais de 50 horas de depoimentos com gestores públicos e técnicos. A comissão identificou problemas graves na infraestrutura e na fiscalização do sistema, como a existência de 40 quilômetros de vias por onde circulam ônibus sem qualquer pavimentação e a interdição de 57 veículos por falta de inspeção obrigatória.

A próxima etapa será dedicada à análise técnica dos documentos coletados e à elaboração do relatório final, que deve ser concluído até 15 de agosto. A relatora da CPI, vereadora Ana Portela, terá a responsabilidade de consolidar as contribuições de cada membro da comissão, com base em dados e relatos apresentados durante os depoimentos.

Falta de pavimentação e ônibus sucateados

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, Ednei Marcelo Miglioli, reconheceu que a precariedade das vias é um entrave histórico. Segundo ele, a Capital possui 40 km de linhas de ônibus sem asfalto e cerca de 70% da malha viária necessita de recapeamento. Parte das obras está prevista em projetos em andamento, com financiamento federal, mas esbarra na contrapartida que precisa ser dada pela prefeitura, estimada em cerca de 40% do valor total.

O presidente da CPI, vereador Dr. Lívio, reforçou que os problemas vão além do estado das vias. Ele cobrou a renovação da frota do Consórcio Guaicurus e destacou que a baixa velocidade dos coletivos prejudica diretamente o deslocamento da população. “Não adianta trocar ônibus se eles vão trafegar em ruas esburacadas e sem planejamento”, observou.

Outro ponto crítico apontado foi a interdição de 57 veículos do Consórcio Guaicurus pela Agetran, por falta de inspeção obrigatória, o que compromete ainda mais a já reduzida frota disponível para atender os usuários.

Problemas estruturais e entraves nas obras

A comissão também ouviu a diretora-adjunta da Agetran, Andréa Luiza Figueiredo, que explicou as dificuldades para instalar abrigos em pontos de ônibus. Dos mais de 2 mil pontos da cidade, grande parte ainda é composta apenas por postes, e muitos não recebem cobertura por questões de espaço nas calçadas ou resistência dos moradores.

Além disso, a licitação para a instalação de 500 abrigos foi encerrada sem execução e deverá ser relançada. No caso dos terminais de ônibus, a prefeitura estuda uma Parceria Público-Privada para manutenção e revitalização, com edital previsto ainda para este ano. Obras como os terminais do Tiradentes e São Francisco seguem nos planos, enquanto outros, como os do Bairro Parati e da Avenida Cafezais, foram cancelados.

A secretária especial de Planejamento, Catiana Sabadin, relatou que apenas R$ 37 milhões dos R$ 144 milhões previstos pelo PAC Mobilidade foram utilizados até agora, o que limita o avanço das melhorias prometidas.

Comissão deve apontar responsabilidades

Durante os depoimentos finais, os parlamentares destacaram que o relatório da CPI deve apontar falhas tanto da prefeitura quanto do Consórcio Guaicurus. “Vamos colocar o dedo na ferida e mostrar onde estão os problemas na prestação de serviço e na fiscalização”, afirmou Dr. Lívio. Ele também defendeu que o documento traga propostas concretas para melhorar a mobilidade urbana e oferecer mais dignidade aos usuários.

A CPI do Transporte Coletivo foi instalada em março de 2025 com o objetivo de investigar a qualidade do serviço prestado e propor soluções para um sistema que, segundo os vereadores, sofre com abandono e omissões há mais de uma década.

SOBRE O AUTOR

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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