Alta dos juros básicos encarece empréstimos, reduz o consumo e pressiona o orçamento das famílias; é a maior taxa desde 2006
Copom eleva Selic a 15% e consumidor sente no bolso com crédito mais caro
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Copom eleva Selic a 15% e o reflexo direto chega ao bolso do consumidor: empréstimos mais caros, crédito mais difícil e menor poder de compra. A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central, anunciada nesta quarta-feira (18), elevou a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, atingindo o maior patamar desde julho de 2006.

Mesmo com a inflação em leve desaceleração, a elevação surpreendeu parte do mercado, que esperava a manutenção dos juros em 14,75% ao ano. O Banco Central justificou a decisão com base nas incertezas econômicas e indicou que poderá manter o patamar elevado por tempo prolongado, com possibilidade de novos ajustes, caso a inflação volte a subir.

Crédito mais caro, consumo menor

A elevação da Selic impacta diretamente as finanças das famílias. Modalidades de crédito como cheque especial, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e imóveis ficam mais caras. O aumento encarece as parcelas, aumenta o custo total da dívida e dificulta a aprovação de novos financiamentos, especialmente para quem já está endividado.

Além disso, o consumidor tende a pensar duas vezes antes de comprar a prazo. Com o crédito mais restrito e caro, o consumo desacelera, o que é justamente o efeito buscado pelo Banco Central: conter a demanda para tentar controlar os preços.

Orçamento das famílias mais pressionado

Quem já tem dívidas com juros flutuantes, como cartão de crédito ou rotativo, pode sentir ainda mais o peso da alta dos juros. O risco é de endividamento em cascata, com o valor das parcelas subindo a cada mês, em um cenário de inflação ainda acima da meta. De acordo com o BC, o IPCA acumulado em 12 meses está em 5,32%, acima do teto de 4,5% da nova meta contínua de inflação.

Investimentos mudam de perfil

Para quem tem recursos aplicados, o aumento da Selic traz oportunidades na renda fixa. Títulos do Tesouro Direto indexados à Selic, CDBs e outros papéis de renda fixa pós-fixados passam a oferecer retorno mais atrativo e com menor risco, o que leva muitos investidores a migrarem da bolsa para esses produtos.

Já na renda variável, o cenário é de cautela. Com o crédito mais caro e a economia em ritmo mais lento, empresas podem ter lucros menores, o que tende a impactar o desempenho das ações.

Inflação ainda preocupa

Apesar da estratégia de aperto monetário, o Banco Central revisou para cima suas estimativas de inflação. A projeção oficial do IPCA para 2025 é de 4,9%, ainda acima do teto da meta. Segundo o boletim Focus, analistas de mercado esperam inflação de 5,25% até o fim deste ano. A expectativa é que os efeitos da alta dos juros só comecem a aparecer nos próximos meses, exigindo vigilância contínua da política monetária.

Crescimento menor, vida mais cara

Com juros em 15%, a previsão de crescimento da economia para 2025 foi reduzida para 1,9% pelo Banco Central. O mercado estima um avanço um pouco melhor, de 2,2%. Ainda assim, a combinação de crédito restrito, consumo reduzido e inflação pressionada tende a afetar o dia a dia da população, principalmente de quem já enfrenta dificuldades para fechar as contas do mês.

Com informações da Agência Brasil

SOBRE O AUTOR

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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