Um caso suspeito de hantavirose em Campo Grande colocou a rede estadual de vigilância em alerta e levou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) a reforçar orientações sobre prevenção, diagnóstico e assistência diante da doença transmitida por roedores silvestres. Mato Grosso do Sul não confirma infecções pela doença desde 2019.
O paciente investigado entrou inicialmente no sistema de saúde como suspeita de leptospirose, mas, diante da semelhança clínica entre os sintomas, passou a seguir o protocolo de investigação para hantavirose. Segundo a SES, o caso ainda está em análise laboratorial e o prazo para conclusão pode chegar a 60 dias.
A nota informativa divulgada pelo Estado aponta que a hantavirose é uma zoonose viral aguda transmitida principalmente pela inalação de partículas contaminadas por urina, fezes e saliva de roedores infectados. A doença pode começar com sintomas inespecíficos, mas evoluir rapidamente para quadros graves pulmonares e cardiovasculares.
Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Larissa Domingues Castilho de Arruda, Mato Grosso do Sul mantém protocolos alinhados ao Ministério da Saúde para resposta rápida em situações envolvendo doenças de maior potencial de gravidade.
“Mato Grosso do Sul possui protocolos alinhados às diretrizes do Ministério da Saúde, com ações integradas de vigilância epidemiológica, monitoramento laboratorial, capacitação das equipes de saúde e educação em saúde”, afirmou.
Dados do documento técnico elaborado pela SES mostram que, entre 2015 e 2026, Mato Grosso do Sul notificou 107 casos suspeitos de hantavirose. Desse total, apenas sete foram confirmados, com registros concentrados em Campo Grande e Corumbá. O último caso confirmado ocorreu em 2019.
Doença rara pode evoluir rapidamente
De acordo com a nota técnica, os primeiros sintomas costumam incluir febre, dores musculares, dor abdominal, cansaço intenso, náuseas, vômitos e dor de cabeça. Em alguns pacientes, o quadro evolui com tosse seca, dificuldade respiratória, queda da oxigenação sanguínea e acúmulo de líquido nos pulmões.
O documento alerta ainda que a fase mais crítica da doença apresenta maior risco de óbitos devido ao comprometimento cardiopulmonar e circulatório. Não existe antiviral específico para tratamento da hantavirose, e pacientes com suspeita da forma grave precisam ser encaminhados rapidamente para unidades de terapia intensiva.
Os maiores registros da doença no Brasil estão nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente em áreas rurais ligadas à atividade agrícola. Trabalhadores rurais, profissionais responsáveis pela limpeza de silos, depósitos e galpões fechados estão entre os grupos com maior exposição ao vírus.
Entre as recomendações da SES estão evitar acúmulo de lixo e entulhos, armazenar grãos e alimentos em recipientes fechados, vedar frestas em imóveis e ventilar ambientes fechados por pelo menos 30 minutos antes da limpeza. A orientação também é não varrer locais com sinais de roedores, utilizando pano úmido e solução desinfetante para impedir a dispersão de partículas contaminadas no ar.













