Um levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul registrou a coleta de 262 barbeiros em 21 municípios do estado ao longo de 2025. Os insetos são conhecidos por transmitir a Doença de Chagas, embora não haja confirmação de transmissão da doença em humanos no estado.
O monitoramento faz parte das ações de vigilância entomológica realizadas pela Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores e reúne dados enviados por equipes municipais que capturam os insetos em áreas urbanas e rurais.
Campo Grande concentra maior número de registros
Segundo o relatório, Campo Grande lidera o número de exemplares coletados, com 49 insetos identificados. Outros municípios também registraram presença do vetor, como Pedro Gomes, com 13 exemplares, além de Bandeirantes, São Gabriel do Oeste e Figueirão, com dois registros cada. Corguinho e Coxim tiveram um inseto identificado em cada localidade.
Durante as análises laboratoriais, dois exemplares coletados em Anastácio apresentaram resultado positivo para o protozoário Trypanosoma cruzi, agente causador da doença de Chagas.
Mesmo com a detecção do parasita em insetos, a Secretaria de Saúde informou que não há registros de transmissão da doença para pessoas no estado.
Vigilância ocorre em todos os municípios
O monitoramento é realizado por meio de boletins entomológicos divulgados periodicamente pela Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores. O material reúne informações sobre presença de barbeiros e resultados de exames realizados com os insetos coletados.
De acordo com a Secretaria de Saúde, a presença do inseto não significa necessariamente que exista transmissão da doença, mas indica a necessidade de vigilância constante.
O órgão também informou que os 79 municípios de Mato Grosso do Sul realizam pesquisas de triatomíneos, principalmente em áreas rurais, e que a população pode colaborar informando às autoridades quando encontrar o inseto.
Como ocorre a transmissão da doença de Chagas
Os triatomíneos, conhecidos popularmente como barbeiros, alimentam-se de sangue de animais e seres humanos. A transmissão da doença não ocorre diretamente pela picada.
O contágio acontece quando fezes ou urina do inseto, que podem conter o protozoário Trypanosoma cruzi, entram em contato com o organismo por meio da pele lesionada ou mucosas, geralmente após a pessoa coçar o local da picada.
Esses insetos costumam viver em áreas rurais e podem aparecer em residências quando há mudanças ambientais, como desmatamento ou alterações no habitat natural.
De hábitos noturnos, costumam se esconder em frestas de telhados, currais, chiqueiros, ninhos de aves e até em abrigos de animais domésticos.
No estado, a espécie mais encontrada é o Triatoma sordida, enquanto o Triatoma infestans é mais comum em outras regiões do país.
Doença pode atingir coração e sistema digestivo
Segundo o infectologista Maurício Pompilio, a doença de Chagas também pode ser transmitida por consumo de alimentos contaminados ou por transfusão de sangue.
A enfermidade pode comprometer diferentes órgãos, principalmente o coração e o sistema digestivo.
De acordo com o médico, em estágios mais avançados podem surgir problemas cardíacos, como aumento do tamanho do coração, além de sintomas como falta de ar, inchaço nas pernas, palpitações e episódios de desmaio. Em outros casos, a doença provoca alterações digestivas, com dilatação do esôfago ou do intestino.
Estrutura de vigilância em Mato Grosso do Sul
O monitoramento realizado pela Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores conta com unidades instaladas em Campo Grande, Dourados, Jardim e Três Lagoas.
Esses laboratórios recebem insetos enviados pelos municípios para identificação das espécies e realização de exames relacionados à doença de Chagas.














