Descarte de resíduos verdes na área do Assentamento Flórida acontece mesmo após denúncia ao Ministério Público
Caminhões começam a despejar lixo próximo à reserva ambiental e revolta moradores de assentamento em Sidrolândia
Foto: Do Leitor

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Caminhões começaram a despejar resíduos verdes na área do Assentamento Flórida, em Sidrolândia, na manhã desta segunda-feira, a poucos metros de uma reserva ambiental e do Córrego Cortada. O descarte ocorre no espaço onde a prefeitura pretende instalar uma Unidade de Triagem e Compostagem (UTR), projeto licenciado pelo município e que deve ser operado pela empresa Elite Max Ambiental.

A movimentação começou apesar da denúncia protocolada por moradores no Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que ainda analisa o caso. Segundo um dos assentados, que pediu para não ser identificado, o despejo foi iniciado sem qualquer aviso à comunidade. Ele afirma que os caminhões passaram a circular logo cedo, levantando poeira e depositando os materiais “do lado da mata”, o que gerou apreensão entre as famílias.

O assentamento abriga cerca de 80 famílias que vivem da agricultura familiar. Os moradores temem que o descarte comprometa a produção, provoque mau cheiro e atraia insetos e animais peçonhentos. Também há preocupação com o risco de contaminação do córrego que abastece a região. Um dos produtores relatou que a presença dos veículos pesados já ameaça a segurança nas estradas internas, usadas diariamente por crianças, idosos e trabalhadores rurais.

A UTR foi apresentada pela prefeitura como solução emergencial para o acúmulo de galhos e restos de poda, cuja coleta está suspensa há aproximadamente dois meses. Entretanto, os assentados afirmam que não foram consultados e questionam a ausência de estudos de impacto e de informações sobre a proximidade da unidade com a área de preservação.

O Ministério Público confirma que recebeu a denúncia e aguarda documentos complementares antes de decidir sobre eventual abertura de procedimento investigatório. Enquanto isso, os moradores seguem mobilizados e pedem a interrupção imediata do despejo até que a situação seja esclarecida.

Por Vivianne Oliveira

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