Com apoio do Sebrae e parceria com o Moinho Cultural, Lucienne Lopes transforma resíduos em peças autorais que unem arte, sustentabilidade e identidade pantaneira
Artesã de MS leva moda sustentável feita com malotes dos Correios à COP 30 em novembro
Fotos: Divulgação

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A artesã de MS Lucienne Lopes Teixeira representa o Brasil na COP 30, em Belém (PA), a partir de 10 de novembro, com uma coleção de moda sustentável produzida a partir do reaproveitamento de malotes dos Correios. O trabalho, realizado em parceria com o Instituto Moinho Cultural Sul-Americano e com apoio do Sebrae/MS, transforma materiais descartados em bolsas, mochilas e nécessaires exclusivas que carregam o estilo e a identidade do Pantanal.

A iniciativa nasceu dentro do Moinho Cultural, em Corumbá, onde Lucienne iniciou sua trajetória em 2008, aprendendo técnicas de reaproveitamento de materiais e costura criativa. O projeto, que alia sustentabilidade, empreendedorismo e impacto social, simboliza o poder transformador da economia criativa no Estado. “Esse projeto une sustentabilidade, empreendedorismo e impacto social, três valores que norteiam nosso trabalho. É uma forma inovadora de transformar resíduos em oportunidades, mostrando que moda e consciência podem caminhar juntas”, afirmou Mônica Macedo, diretora executiva do Instituto.

Reconhecida por seu talento autoral, Lucienne foi convidada a apresentar 150 peças na conferência internacional sobre o clima: 50 mini mochilas, 50 bolsas rolê e 50 nécessaires. “Vai tudo com um pedacinho do Pantanal. Cada peça tem uma história, um bicho, uma lembrança do nosso lugar. É emocionante poder mostrar isso para o mundo”, disse a artesã.

Sua relação com o Moinho Cultural começou há mais de 15 anos, quando participou de cursos de capacitação e chegou a integrar a Cooperativa Vila Moinho, grupo formado por artesãos, cozinheiros e artistas locais. O aprendizado levou Lucienne a trabalhar na confecção de figurinos para espetáculos do Moinho Concert e a desenvolver o estilo próprio que hoje marca seu Lú Lopes Ateliê, conhecido pelos bordados exclusivos de animais pantaneiros, como araras, capivaras e onças.

“Eu comecei sem saber o que queria fazer. Depois de ver uma amiga bordar capivaras, percebi que queria retratar os bichos do nosso Pantanal. Cada desenho é único e carrega nossa história”, relembra Lucienne, que atualmente produz suas peças de forma artesanal em Campo Grande.

A parceria com o Sebrae/MS foi decisiva para ampliar o alcance do negócio. Segundo Isabella Carvalho Fernandes Montello, gerente de Competitividade e Inovação do Sebrae/MS, a conexão entre o ateliê e o Moinho Cultural surgiu durante o programa Move Mais, voltado à prospecção de mercados e fortalecimento de pequenos empreendedores. “Durante o atendimento, identificamos a dificuldade de obter matéria-prima e a articulação com o Moinho Cultural veio como uma solução fantástica”, explicou.

Pelo acordo, a cada dez peças confeccionadas com o material reaproveitado, Lucienne doa uma para a loja colaborativa do Moinho Cultural, fortalecendo o ciclo de economia criativa e o impacto social do projeto. “Nosso papel é apoiar empreendedores que unem propósito e sustentabilidade, garantindo também a viabilidade econômica de seus negócios”, acrescentou Isabella.

Além da COP 30, as criações da artesã podem ser encontradas nas redes sociais e em feiras de artesanato em Campo Grande. Com sua arte costurada em lona e alma pantaneira, Lucienne Lopes mostra que sustentabilidade e identidade regional podem caminhar lado a lado — e conquistar o mundo.

SOBRE O AUTOR

Foto de Odirley Deotti

Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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