Em alusão à campanha Agosto Lilás, a ACP (Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública) realizou, na terça-feira (19), um encontro voltado à reflexão e ao fortalecimento coletivo no enfrentamento à violência de gênero. O evento, realizado no espaço ACP Casa Park’s, reuniu educadores, lideranças sindicais e especialistas, totalizando mais de 100 participantes.
O lema “Viver sem violência é um direito de toda mulher” guiou as atividades, que abordaram não apenas a violência física, mas também as formas mais sutis de agressão presentes no cotidiano e no ambiente de trabalho. O encontro contou com apresentações do Coral da ACP, da cantora Maila Espíndola e momentos de diálogo com as psicólogas Márcia Paulino, Secretária Executiva da Mulher de Campo Grande, e Fabiane Britto de Araújo, especialista em políticas públicas para mulheres.
A coordenadora do Coletivo de Mulheres da ACP, professora Maristela Ferreira Borges, destacou que “não falamos apenas da violência física. Muitas vezes, as violências mais marcantes são aquelas veladas, que nem sempre são reconhecidas como violência: no ambiente de trabalho, nas instituições, nas relações cotidianas”. Ela reforçou que a defesa das mulheres é também defesa da categoria, da educação pública e da democracia.
A vice-presidente da ACP, professora Josefa dos Santos, alertou que a maior parte da violência é cometida por homens, dentro ou fora de casa, e que o combate precisa começar na educação. “As escolas desempenham papel fundamental no combate à violência. Precisamos educar nossos jovens a rejeitar o machismo, pois serão eles que transformarão essa cultura de violência”, afirmou. Ela citou dados alarmantes de Campo Grande: quase 300 casos de estupro em 2025 e cerca de 7 mil entre 2013 e 2025, a maioria em ambiente familiar.
Representando a FETEMS, Deumeires Morais reforçou que eventos como este fortalecem o debate nas escolas e ajudam a desconstruir o machismo e a misoginia. A secretária Social e Cultural da ACP, professora Sueleid Benevides, destacou que o Brasil ocupa posição alarmante no ranking mundial de feminicídios e violência contra mulheres, e alertou para os tipos invisíveis de agressão, como psicológica e moral.
O presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, reforçou o compromisso do sindicato com a defesa dos direitos humanos e a continuidade da pauta dentro das escolas e na luta sindical. O deputado Pedro Kemp e o procurador do MPT, Paulo Douglas de Moraes, também participaram, destacando a importância da educação e da intervenção institucional na prevenção da violência de gênero.
O encontro terminou com sorteio de brindes, mas a mensagem principal se manteve: o combate à violência contra mulheres é uma ação contínua, coletiva e estruturante, que exige educação, conscientização e comprometimento social. Como lembrou Josefa, citando Nelson Mandela: “Ninguém nasce machista ou violento. A violência e o machismo são aprendidos”.














