Parece que estamos o tempo todo sendo colocados à prova. De um lado, uma denúncia que acabou dando garupa para muitas personalidades e, até de forma positiva, virou pauta em reuniões familiares, nas empresas, entre os amigos e no convívio social. Um assunto sério, algo que sempre existiu, esteve ali debaixo das nossas barbas, mas passava batido, resumindo-se apenas a comentários de juízes de plantão, mesmo com um conteúdo tão preocupante. Em contraponto, a nova moda: adultos chupando chupeta para vencer o estresse.
Façamos uma rápida análise, começando pelo primeiro ponto. Não é de hoje que vemos nossas crianças sendo expostas em redes sociais. Tanto é que as denúncias trazidas pelo influenciador Felca trazem personalidades que acabaram se tornando famosas muito cedo por causa dessa exposição exagerada, com corpos que começaram franzinos, mas, que já se reconheciam em movimentos sexualizados e que, mesmo sem maturidade, foram utilizados por adultos irresponsáveis e gananciosos em busca de fortuna em nome da erotização infantil.
Não vou citar nomes, vou falar de idades. Dez, onze, doze anos. É vergonhoso, nojento, como ele mesmo diz em seu vídeo que trouxe o assunto em mais de 50 minutos, no seu canal do Youtube. São crianças seduzidas pela ideia de uma vida fácil e lucrativa, mas que depois se tornam bonecos nas mãos de adultos manipuladores, narcisistas e com um agravante que potencializa toda essa barbárie: na maioria dos casos são os próprios pais e mães que os colocam nesse cenário de baixaria movido a álcool, drogas e uma vida sexual precoce e desregrada.
Elegeram ídolos na música, nas artes, e vêm endeusando personalidades cujo talento se resume a manipulação (travestida de grande influência no Marketing). Eu sei que neste momento você está revistando esses nomes sem que eu precise trazê-los até aqui. A poesia natural da infância foi trocada por um acervo imensurável de palavras de baixo calão e expressões diretas que são praticamente a narrativa de um filme pornô.
E a exploração sexual infantil não começou com a rede social, não! Ela existe há muito tempo, muito mesmo. Só que ganhou glamour, trilha sonora, (d) efeitos especiais, apelos de imagens em 4k, dinheiro, muito dinheiro. E no final, o que sobra internamente para essas crianças fantasiadas de adultos e pura rebeldia? Seus filhos ouvem letras assim sem se escandalizar? Se sim, já começamos errado por aqui. Eles precisam ter o senso do certo e do errado e isso deve ser despertado por nós, que somos pais e mães. Se o sonho de ser rico e ter fama vem antes das fantasias de criança, busque limites. Afinal, tudo posso, mas nem tudo me convém.
E você pode até pensar que não tem nada a ver com isso, que esse assunto não é uma realidade pra você, que não te diz respeito. Claro, é sempre mais fácil a gente fechar os olhos para aquilo que pensamos não fazer parte do nosso convívio. Mas aí é que vem a pedrada. Proteger nossas crianças é sim, responsabilidade de todos nós. Nada adianta fazermos pouco caso do que acontece ao redor e querer reclamar do colega de trabalho que aderiu a moda e agora é um adulto que chupa chupeta.
E aí, você me pergunta: o que é que uma coisa tem a ver com a outra?
Tudo, gente! Nossas crianças são os futuros adultos, os profissionais, os pais de família, as autoridades que vão reger nosso País. E o que esperar de adultos traumatizados, vazios, inseguros, infantilizados? A vida merece nosso olhar de respeito. Nossas crianças precisam ter valores, limites, precisam ser preservadas amadas, protegidas, para que se tornem homens e mulheres fortes que vão dar continuidade a lei da vida, gerando e continuando uma história de vitórias e não de abusos.
De um lado, crianças adultizadas. Do outro lado, adultos infantilizados.
Parem o mundo, eu quero descer!























