Flávio Dino determina audiência de conciliação para buscar entendimento sobre área em disputa em Sidrolândia, cenário de novos conflitos neste mês
STF tenta destravar impasse sobre Terra Indígena Buriti e convoca reunião entre terena e fazendeiros
Foto: Arquivo/Cimi

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O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma nova frente de negociação para tentar resolver o impasse envolvendo a Terra Indígena Buriti, localizada em Sidrolândia. O ministro Flávio Dino determinou a realização de uma audiência de conciliação entre representantes do povo terena, da União, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e proprietários rurais que contestam a ampliação da área reivindicada pelos indígenas.

A medida não representa uma decisão sobre o mérito do processo, mas busca criar um ambiente de diálogo entre os envolvidos em uma disputa que se arrasta há anos e voltou a ganhar destaque após recentes episódios de tensão registrados na região.

O caso em discussão trata de decisões anteriores que alteraram os limites da Terra Indígena Buriti, reduzindo a extensão territorial reivindicada pela comunidade terena. A controvérsia chegou ao STF por envolver a interpretação do artigo 231 da Constituição Federal, que assegura os direitos dos povos indígenas sobre as terras tradicionalmente ocupadas.

Ministro vê espaço para retomada das negociações

Em fases anteriores da tramitação, o recurso apresentado havia sido rejeitado sob o entendimento de que a análise exigiria reexame de fatos e provas, procedimento que normalmente não é admitido em recursos extraordinários.

Ao reavaliar a situação, Flávio Dino considerou que manifestações recentes das partes demonstram a possibilidade de construção de um entendimento. Na decisão, o ministro apontou que a comunidade indígena informou a permanência dos conflitos na área e manifestou interesse em retomar as negociações.

O despacho também registra sinais de abertura ao diálogo por parte dos proprietários rurais envolvidos no processo, circunstância que levou o magistrado a determinar a tentativa de mediação.

A audiência será conduzida pelo Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (NUSOL), com apoio de uma juíza auxiliar vinculada ao gabinete do ministro. A data, o horário e o local do encontro ainda serão definidos, e os participantes serão intimados posteriormente.

Conflitos recentes mantêm tensão na região

A iniciativa do STF ocorre em meio à continuidade dos conflitos fundiários em Sidrolândia. No último dia 13 de junho, indígenas terena ocuparam a sede da Fazenda São Sebastião, propriedade situada em área reivindicada pela comunidade.

A proprietária da fazenda afirmou que funcionários teriam sido mantidos em cárcere durante a ação e acusou os ocupantes de incendiar uma ponte utilizada para acesso ao imóvel. Os indígenas, por outro lado, sustentam que a área faz parte do território tradicional reivindicado pelo povo terena.

As circunstâncias do episódio seguem sob investigação das autoridades competentes.

SOBRE O AUTOR

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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