O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ingressou com uma ação civil pública exigindo a reconstrução completa da Vivenda Ignácio Gomes, casarão centenário que desabou após décadas de abandono em Campo Grande. Localizado na Avenida Antônio Maria Coelho, o imóvel era considerado um dos marcos históricos e arquitetônicos da capital e havia passado por um processo inconcluso de tombamento iniciado ainda em 2005.
Construído na década de 1920, o casarão era reconhecido por sua arquitetura eclética, com elementos do art nouveau e do neoclassicismo, típicos das residências urbanas da elite da época. Apesar de seu valor histórico e cultural, a Vivenda nunca foi oficialmente tombada, o que contribuiu para seu estado avançado de deterioração ao longo dos anos.
Laudos técnicos emitidos por órgãos públicos apontaram risco de colapso iminente, o que acabou se confirmando em 2025. A fachada frontal do imóvel cedeu em fevereiro, após um galho de árvore despencar sobre a cobertura durante um temporal. Nos meses seguintes, o restante da estrutura ruiu quase completamente, restando apenas fragmentos da fundação e algumas paredes internas, conforme descrito em parecer técnico da Secretaria Municipal Executiva de Cultura (Secult).
Diante da ruína irreversível, o MPMS alterou seu pedido judicial e agora requer que o Município e o proprietário elaborem, em até 90 dias, um projeto de reconstrução total do imóvel. A proposta deverá respeitar rigorosamente as características originais do casarão e seguir normas internacionais de preservação patrimonial, com base em plantas, imagens e registros históricos fidedignos. A obra de reconstrução deverá ser executada no prazo de até 12 meses após a aprovação do projeto. Em caso de descumprimento, o MPMS propôs multa diária de R$ 10 mil.
De acordo com o parecer técnico da Secult, é viável reconstruir a Vivenda Ignácio Gomes de forma fiel à sua configuração original, sem risco de criação de um “falso histórico”, desde que a intervenção respeite os elementos arquitetônicos documentados ao longo de sua existência.
A promotora Luz Marina Borges Maciel Pinheiro, titular da 26ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, é a responsável pela ação. Ela defende que a reconstrução do casarão é essencial não apenas para a recuperação de um ícone da história local, mas como um alerta para a proteção de outros bens culturais ameaçados pela omissão do poder público e pela negligência de seus proprietários.













