Themis de Oliveira afirma que sem ajuda da Prefeitura não há como renovar a frota; cidade transporta menos da metade dos passageiros previstos em contrato
Diretor do Consórcio Guaicurus quer repactuar contrato do transporte público em Campo Grande
Foto: Izaias Medeiros/CMCG

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O diretor do Consórcio Guaicurus defendeu a repactuação do contrato do transporte coletivo em Campo Grande durante a última oitiva da CPI do Transporte Público, realizada nesta quarta-feira (18) na Câmara Municipal. À frente do consórcio desde janeiro, Themis de Oliveira afirmou que é necessário firmar um novo acordo com a Prefeitura, com participação da Câmara e do Ministério Público, para garantir a viabilidade do sistema.

“É minha função e vontade dos acionistas sentar na mesa para achar um caminho e entrar em acordo com o município”, disse. Para ele, a única saída para manter o serviço é um pacto que envolva todos os entes públicos responsáveis.

Frota envelhecida e dificuldades financeiras

Segundo Themis, o consórcio não tem condições financeiras de renovar a frota de ônibus sozinho. Ele revelou que seria necessário um financiamento de R$ 170 milhões para substituição dos veículos, mas que nenhum banco aceitaria liberar o recurso diante da atual situação financeira da empresa.

“Qualquer banco que olhar nosso balanço vai ver que temos problemas sem os aportes da Prefeitura”, afirmou, ao explicar que a contrapartida do Poder Público é essencial para a continuidade do serviço.

Queda drástica na demanda

Outro ponto destacado na oitiva foi a queda no número de passageiros. Quando o contrato foi firmado, em 2012, a projeção era de que o sistema transportasse 85 milhões de pessoas em 2024. Mas no ano passado, o total registrado ficou abaixo da metade: apenas 40 milhões de usuários.

“Perdemos passageiros ao longo dos anos. Somos cumpridores de ordens de serviço”, disse Themis, ao comentar que todas as rotas definidas pela Agetran são seguidas integralmente pelo consórcio.

O que vem em seguida?

A oitiva de Themis encerrou a terceira fase de depoimentos da CPI, que investiga possíveis falhas na gestão do transporte público da capital. O sócio-proprietário do consórcio, Paulo Constantino, era esperado para depor, mas apresentou atestado médico e não compareceu.

Na próxima quarta-feira (25), a Comissão realiza uma audiência pública no plenário Oliva Enciso, às 13h. Usuários do transporte coletivo poderão participar e apresentar suas críticas e sugestões diretamente aos vereadores que compõem a CPI.

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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