Durante agenda no interior de Mato Grosso do Sul nesta semana, o pré-candidato ao Senado Reinaldo Azambuja afirmou que a definição de investimentos públicos deve levar em conta as necessidades específicas de cada município. Segundo ele, cidades com diferentes perfis enfrentam problemas distintos e não podem receber soluções padronizadas.

Municípios têm demandas diferentes, afirma Reinaldo

Em entrevista à imprensa, Reinaldo destacou que as prioridades variam conforme a realidade de cada região. Para ele, enquanto algumas localidades precisam avançar em obras de infraestrutura, outras dependem de melhorias no atendimento à saúde ou de ações voltadas à geração de emprego e renda.

“Alguns municípios precisam de infraestrutura, outros de atendimento à saúde, e outros ainda de oportunidades para geração de emprego e renda. Não existe solução única que sirva para todos”, declarou.

O pré-candidato avaliou que esse entendimento deve orientar tanto a atuação dos parlamentares na indicação de emendas quanto as decisões dos governos responsáveis pela execução de políticas públicas.

“Só conhecendo de perto a realidade de cada região é que se consegue investir onde realmente é necessário. Caso contrário, o dinheiro público não chega a quem mais precisa”, afirmou.

Modelo de gestão municipalista

Durante os dois mandatos como governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja adotou uma linha de administração baseada no atendimento às demandas apresentadas pelos municípios, modelo que ficou conhecido como municipalismo.

A proposta buscava considerar os diagnósticos feitos pelas próprias prefeituras para definir prioridades de obras e investimentos. Segundo Reinaldo, essa forma de relacionamento entre Estado e municípios continua sendo aplicada na atual gestão estadual, comandada pelo governador Eduardo Riedel.

Crise financeira pressiona prefeituras brasileiras

A defesa por maior atenção às demandas locais ocorre em um cenário de dificuldades financeiras enfrentadas por administrações municipais em todo o país.

Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), no levantamento Diagnóstico Fiscal dos Municípios 2025/2026, apontam que a situação financeira é a principal preocupação dos gestores municipais. A pesquisa ouviu 4.172 prefeituras, o equivalente a 75% dos municípios brasileiros.

Segundo o levantamento, cerca de 80% dos prefeitos apontaram a crise financeira como um dos principais desafios. O estudo também indica que 29% das cidades encerram o período com atraso no pagamento de fornecedores, enquanto 31% precisam transferir despesas já contratadas para o ano seguinte.

Reinaldo critica concentração de recursos

O pré-candidato também citou a divisão da arrecadação tributária brasileira como um dos fatores que dificultam a capacidade financeira das prefeituras.

Conforme os dados apresentados pela CNM, a União concentra 64% dos recursos arrecadados em impostos, enquanto os Estados ficam com 22,5% e os municípios com 13,5%.

Para Reinaldo, essa distribuição aumenta a dependência das administrações municipais em relação aos repasses federais, especialmente por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que representa a principal fonte de receita para dois em cada três municípios brasileiros.

“As prefeituras conhecem suas prioridades, mas o Governo Federal não ouve com atenção essas demandas e ainda destina recursos reduzidos, insuficientes para que os municípios arquem até com suas necessidades básicas”, afirmou.