A retomada da ferrovia em Mato Grosso do Sul passa, na avaliação do candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL 222), por dois trechos considerados estratégicos: Três Lagoas-Aparecida do Taboado e Três Lagoas-Campo Grande. A defesa foi apresentada neste sábado (12), durante entrevista à Rádio Cultura FM, de Aparecida do Taboado, onde o candidato esteve em agenda de campanha ao lado do governador Eduardo Riedel (PP 11).
Para Reinaldo, a recuperação desses ramais pode criar uma nova conexão ferroviária para o Estado e abrir espaço para a ampliação dos corredores de transporte de cargas. A proposta também inclui a extensão da malha até regiões como Corumbá e Ponta Porã.
“Eu não tenho dúvida de que o melhor traçado da ferrovia é o ramal Três Lagoas-Aparecida do Taboado, da antiga Malha Oeste, e o de Três Lagoas-Campo Grande. É mais um eixo de desenvolvimento nessa região que vai chegar aqui, não tenha dúvida”, afirmou.
Conexão com a Ferronorte
Na avaliação do candidato, a ligação entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado teria potencial para despertar maior interesse da iniciativa privada por estabelecer uma conexão com a Ferronorte, ferrovia de bitola larga.
Reinaldo afirmou que a retomada deverá ser estruturada por etapas e citou, além do trecho entre Três Lagoas e Aparecida, as conexões Três Lagoas-Campo Grande, Campo Grande-Corumbá e o ramal de Ponta Porã.
“Esse é o projeto que vai ser feito por trechos. E esse primeiro aqui vai ser o que tem o maior apetite, porque conecta a antiga Malha Oeste à Ferronorte, que é uma ferrovia de bitola larga, com capacidade de transitar os trens com mais velocidade”, disse.
A Malha Oeste tem 1.625 quilômetros e liga Corumbá, em Mato Grosso do Sul, a Mairinque, no interior paulista, passando por cidades como Campo Grande e Três Lagoas. Grande parte da estrutura, porém, permanece desativada ou sem condições adequadas de operação após anos de investimentos insuficientes.
Nova concessão prevê R$ 3,6 bilhões
A discussão ocorre enquanto o projeto de uma nova concessão da ferrovia entra em uma etapa decisiva. Em maio deste ano, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou os estudos técnicos e o Plano de Outorga. No mês seguinte, o Ministério dos Transportes referendou o projeto.
A modelagem prevê R$ 3,6 bilhões em investimentos da União para recuperar a infraestrutura e permitir a retomada das operações. O planejamento também estabelece repasses anuais de até R$ 500 milhões.
Entre as estruturas contempladas está justamente o futuro ramal Três Lagoas-Aparecida do Taboado, além dos trechos de Ponta Porã, Corumbá-Ladário e Agente Inocêncio-Porto Esperança.
O leilão está previsto para novembro deste ano. A expectativa é que a recuperação da ferrovia amplie a conexão de Mato Grosso do Sul com o Porto de Santos, por onde é escoada parte relevante da produção do Centro-Oeste.
A infraestrutura também é considerada estratégica para segmentos que têm peso na economia estadual, entre eles mineração, combustíveis e a cadeia da celulose.
Ferrovia como alternativa para o escoamento
Durante a entrevista, Reinaldo relacionou a expansão da infraestrutura ferroviária ao crescimento da produção sul-mato-grossense. O Estado é apontado no material da campanha como o quinto maior produtor de grãos do país, enquanto a produção nacional de grãos tem previsão de alcançar 348,4 milhões de toneladas em 2026, segundo o IBGE.
Para o candidato, ampliar as alternativas de transporte é uma condição para acompanhar esse cenário produtivo.
“No Senado, Reinaldo irá trabalhar para infraestrutura logística para escoar a produção e trazer desenvolvimento. Não dá para o Estado crescer sem hidrovia e ferrovia. São modais importantes hoje pra um Estado que produz tanto igual ao nosso”, afirmou.
Além da entrevista, Reinaldo cumpriu agendas de campanha neste sábado em Brasilândia, onde participou de carreata, e em Aparecida do Taboado, com caminhada e adesivaço.