O que deveria ser uma sessão para esclarecer os problemas na recuperação das ruas de Campo Grande terminou em confusão, intervenção da Guarda Civil Metropolitana e encerramento antecipado dos trabalhos. Na manhã desta terça-feira (20), um tumulto no plenário da Câmara Municipal impediu que os vereadores concluíssem os questionamentos ao secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, convocado para prestar explicações sobre a operação tapa-buraco.

A sessão reuniu moradores que cobravam melhorias no asfalto e manifestantes favoráveis à administração da prefeita Adriane Lopes (PP). O clima de tensão aumentou quando um homem destruiu uma maquete de isopor utilizada por um comerciante para representar as condições das ruas da Capital.

O responsável pelo episódio foi identificado como Antônio de Jesus Charupá, líder comunitário e servidor comissionado da Prefeitura. Após resistir à determinação de deixar o plenário, ele foi retirado por agentes da Guarda Civil Metropolitana.

O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), interrompeu os trabalhos e decidiu encerrar a sessão diante das dificuldades para restabelecer a ordem.

Tumulto na sessão desta terça (20)

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Câmara anuncia providências após confusão

A presença do secretário havia sido solicitada pelos vereadores para esclarecer questões relacionadas aos contratos, aos investimentos e à qualidade dos serviços de manutenção asfáltica.

A convocação ocorreu em meio à mobilização para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar possíveis irregularidades na operação tapa-buraco.

Papy criticou a conduta dos manifestantes e atribuiu caráter político ao tumulto. O presidente também questionou a presença de um servidor municipal envolvido na confusão durante o horário de expediente.

“Isto foi um ato político claramente. Vamos remarcar a vinda do André com um reforço maior na segurança”, declarou.

Em manifestação oficial, a Câmara informou que o tumulto comprometeu a segurança dos presentes e o funcionamento do Legislativo. A Casa também anunciou que adotará as providências jurídicas cabíveis e reagendará a participação do secretário de Infraestrutura.

Vereadores criticam mobilização e cobram explicações

A vereadora Ana Portela (PL) classificou o episódio como uma falta de respeito aos moradores de Campo Grande. Para a parlamentar, a confusão prejudicou diretamente a população, que aguardava informações sobre os serviços de recuperação das vias.

“Infelizmente, a sessão teve que ser encerrada e a população hoje não vai sair daqui com as informações necessárias”, afirmou.

Ana também criticou o que considerou uma mobilização do Executivo municipal que contribuiu para tumultuar os trabalhos parlamentares.

O vereador Maicon Nogueira (PP) fez críticas à administração municipal e acusou a Prefeitura de mobilizar servidores e apoiadores contra a investigação dos serviços de tapa-buracos.

O parlamentar também levantou suspeitas sobre uma suposta distribuição de cestas básicas para atrair manifestantes. A acusação não foi comprovada e deve ser tratada como uma denúncia feita pelo vereador, não como fato estabelecido.

CPI do tapa-buraco avança em meio à crise

A tentativa de ouvir o secretário aconteceu poucos dias depois de os vereadores reunirem as assinaturas necessárias para solicitar a abertura da CPI do Tapa-Buraco.

O requerimento, apresentado pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), prevê inicialmente 120 dias de investigação. Entre os objetivos estão examinar contratos de manutenção das ruas, a redução dos investimentos em 2026 e o descumprimento de prazos para respostas a pedidos de informação do Legislativo.

A proposta passou à análise jurídica da Câmara, etapa anterior à constituição oficial da comissão.

A cobrança dos vereadores acompanha o volume de reclamações sobre as condições das ruas. Somente no primeiro semestre deste ano, a Câmara registrou mais de 9 mil indicações relacionadas à necessidade de serviços de tapa-buracos em Campo Grande.

Com o encerramento antecipado da sessão desta terça-feira, a prestação de esclarecimentos públicos sobre os serviços de manutenção viária terá de ocorrer em uma nova oportunidade, enquanto prossegue a tramitação do pedido de investigação parlamentar.