As chuvas intensas registradas em outubro deixaram consequências para os produtores de soja de Mato Grosso do Sul. Pelo menos 22.718 hectares tiveram de ser replantados devido a problemas provocados pelo excesso de água no solo. O número corresponde a aproximadamente 0,5% da área estimada para a cultura no Estado, conforme levantamento divulgado nesta terça-feira (3) pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS).
Apesar dos prejuízos em parte das lavouras, a melhora das condições climáticas permitiu acelerar a semeadura da safra 2026/2027. O plantio chegou a 68,6% da área monitorada, equivalente a aproximadamente 3,3 milhões de hectares.
Os dados foram reunidos pelo Projeto SIGA-MS, desenvolvido pela Aprosoja/MS com recursos do Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja (Fundems) e da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
Centro e Norte concentram áreas afetadas
A maior extensão de lavouras que precisaram passar por uma nova semeadura está na região Centro, com 13.213 hectares. Em seguida aparece a região Norte, onde foram identificados 9.435 hectares replantados.
Nas demais localidades acompanhadas pelo levantamento, os registros foram isolados.
Entre os problemas identificados estão o encharcamento, a formação de uma camada superficial compactada, conhecida como selamento do solo, e a erosão laminar, caracterizada pela retirada de partículas da superfície pela água das chuvas.
Essas condições podem dificultar a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas, tornando necessária a substituição das áreas comprometidas por uma nova semeadura.
Plantio recupera ritmo após dificuldades em outubro
A evolução do cultivo nas últimas semanas mostra uma mudança no cenário das propriedades rurais. Na segunda quinzena de outubro, somente 32% da área monitorada havia recebido sementes, situação atribuída às precipitações e à dificuldade de movimentação das máquinas agrícolas.
Segundo Lucas Santana, analista técnico da Aprosoja/MS, a umidade elevada chegou a interromper as atividades em diversas propriedades.
"As operações ficaram paralisadas durante grande parte da semana", relatou o especialista.
Naquele período, também foram identificados danos às estruturas de conservação do solo, incluindo rompimentos de curvas de nível, enxurradas e processos erosivos em terrenos de características arenosas e mistas.
Com a redução das chuvas e a recuperação das condições de operação das máquinas, os trabalhos avançaram em diferentes regiões produtoras.
O Sul de Mato Grosso do Sul apresenta o maior percentual de semeadura concluída, com 76,2% da área acompanhada. A região Centro registra 60,3%, enquanto o Norte alcançou 52,2%.
El Niño exige acompanhamento das condições climáticas
Embora a estabilidade recente do tempo tenha favorecido os trabalhos agrícolas, a Aprosoja/MS considera necessário manter o monitoramento meteorológico durante o desenvolvimento da safra.
O analista Lucas Santana observa que a atuação do fenômeno El Niño pode ampliar a ocorrência de instabilidades climáticas em Mato Grosso do Sul.
"O acompanhamento climático continua sendo importante para o planejamento da safra", afirmou.
As informações integram o monitoramento do Projeto SIGA-MS, que acompanha as condições das lavouras e a evolução das atividades agrícolas no Estado.