A produção de ovos para consumo familiar pode ganhar uma estrutura mais segura em comunidades rurais e indígenas de Mato Grosso do Sul. A Embrapa Pantanal apresentou um modelo de galinheiro com capacidade para até 100 aves, planejado para prevenir doenças, facilitar o manejo e preservar uma importante fonte de alimento para famílias que vivem no campo.
A proposta integra um estudo elaborado por pesquisadoras da Embrapa Pantanal, em parceria com profissionais da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro).
O projeto estabelece orientações para a organização dos espaços, proteção das aves, armazenamento de alimentos e adoção de medidas sanitárias. A estrutura completa tem custo estimado em R$ 18 mil, mas admite adaptações com materiais disponíveis nas comunidades.
Galinheiro prevê proteção contra doenças e animais silvestres
Batizado de "Vale a pena", o módulo produtivo foi concebido para a criação de galinhas poedeiras em pequenas propriedades. O planejamento inclui espaços cercados, áreas de circulação controlada e ambientes separados para alimentação, postura e armazenamento dos ovos.
Uma das principais características é a divisão entre os locais frequentados pelas aves e aqueles utilizados pelos responsáveis pela criação. Essa organização permite realizar parte das tarefas diárias sem contato direto com os animais.
O galinheiro também deve contar com telas de proteção contra predadores e aves silvestres, cobertura adequada e piso elevado para evitar o acúmulo de água.
O projeto recomenda uma faixa livre de cinco metros ao redor da instalação, além de barreiras vegetais que ajudem a proteger os animais contra ventos e exposição excessiva ao sol.
As galinhas podem circular em piquetes protegidos, onde encontram espaço para ciscar e se alimentar. Uma segunda área permite o descanso do terreno e o cultivo de vegetação destinada à alimentação das aves.
Estrutura de R$ 18 mil pode utilizar materiais da própria região
O orçamento apresentado pela Embrapa considera a construção com alvenaria, madeira, telas, telhas metálicas, reservatório de água com sistema de cloração e cortinas plásticas.
Para diminuir as despesas, o estudo sugere aproveitar madeira disponível no local, quando viável, e utilizar mão de obra comunitária.
O espaço interno também precisa oferecer condições adequadas ao comportamento natural das galinhas. A recomendação é disponibilizar aproximadamente 20 centímetros de poleiro por ave e instalar um ninho para cada quatro galinhas.
A separação dos ambientes busca preservar a qualidade dos ovos e facilitar a limpeza das instalações.
Cuidados sanitários buscam evitar perdas na produção
A criação de aves nos quintais é uma prática tradicional em comunidades indígenas, assentamentos e propriedades familiares. Além de fornecer carne e ovos, pode contribuir para a renda doméstica.
Entretanto, a proximidade entre galinhas, animais silvestres e pessoas exige cuidados para evitar a circulação de agentes causadores de doenças.
Entre as preocupações abordadas no estudo está a influenza aviária, enfermidade que representa riscos à saúde animal e à cadeia produtiva.
A Embrapa orienta que os criadores mantenham a água e a alimentação protegidas, realizem a limpeza frequente dos equipamentos e utilizem calçados e materiais exclusivos para o trabalho no galinheiro.
A vacinação e o controle de parasitas também fazem parte das recomendações, com acompanhamento de profissionais habilitados.
Em situações de mortalidade elevada ou aparecimento de sintomas incomuns nas aves, os responsáveis devem comunicar a Iagro, órgão encarregado da defesa sanitária animal em Mato Grosso do Sul.
Estudo reúne orientações para agricultores e povos indígenas
As recomendações estão reunidas no Comunicado Técnico 125, publicado pela Embrapa Pantanal em maio de 2026.
O trabalho foi elaborado pelas pesquisadoras Adriana Mello de Araújo, Raquel Soares Juliano e Aiesca Oliveira Pellegrin, com participação de Thainara Farias Rocha, da Agraer, e Janine de Campos Ferra Vieira de Almeida e Kamylla Lucas Silveira, da Iagro.
A publicação combina orientações de infraestrutura, manejo e prevenção de doenças com práticas adaptáveis às condições das pequenas propriedades.
O objetivo é conciliar a continuidade da criação tradicional de galinhas com a proteção da saúde das famílias, dos animais e da produção avícola de Mato Grosso do Sul.
Fonte: Embrapa