Mato Grosso do Sul reduziu em 22% o volume de fertilizantes importados nos nove primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. As compras externas somaram 116 mil toneladas, contra 148,6 mil toneladas registradas entre janeiro e setembro de 2025. Os números fazem parte de um levantamento da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja/MS).

O estudo, elaborado a partir de informações do ComexStat, mostra que a retração atingiu principalmente os fertilizantes nitrogenados e fosfatados, enquanto os produtos à base de potássio apresentaram crescimento nas importações.

A redução registrada no Estado foi superior à média nacional. No Brasil, as compras externas de fertilizantes passaram de 33,8 milhões para 28,6 milhões de toneladas no período analisado, uma queda de 15,4%.

Compras de nitrogenados e fosfatados registram maiores quedas

Entre as categorias analisadas, os fertilizantes fosfatados tiveram a maior redução percentual em Mato Grosso do Sul. O volume importado passou de 15 mil toneladas em 2025 para 8,7 mil toneladas em 2026, uma diminuição de 42%.

Os nitrogenados também registraram recuo. As importações caíram de 87,2 mil para 57,6 mil toneladas, uma diferença de 34% em relação aos nove primeiros meses do ano anterior.

Os fertilizantes potássicos seguiram na direção contrária, com crescimento de 27,7%. As compras externas passaram de 26,7 mil toneladas para 34,1 mil toneladas, segundo o boletim de setembro da Aprosoja/MS.

Redução não significa falta de fertilizantes no mercado

Apesar da diminuição nas importações, o levantamento não aponta, por si só, um cenário de desabastecimento. A disponibilidade dos produtos para as atividades agrícolas depende também dos estoques existentes, da oferta no mercado interno e das condições de aquisição.

O analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, explica que os números precisam ser avaliados em conjunto com o comportamento dos preços internacionais e os custos enfrentados pelos produtores.

“Tivemos essa retração no volume importado entre janeiro e setembro, mas esse dado, isoladamente, não significa que haverá falta de fertilizantes. O ponto de atenção é como as condições do mercado internacional podem afetar os custos de aquisição e o planejamento financeiro das propriedades”, afirmou.

De acordo com a entidade, a demanda interna enfraquecida e os riscos relacionados às oscilações dos preços externos continuam gerando incertezas para o mercado brasileiro de fertilizantes.

Para os produtores de soja e milho, o planejamento das compras deve considerar os custos dos insumos, o poder de aquisição e as necessidades de adubação das lavouras.

A Aprosoja/MS destaca que a diminuição das importações também não representa, necessariamente, uma redução no uso de fertilizantes nas propriedades rurais. As decisões sobre adubação dependem de fatores agronômicos e comerciais, incluindo a disponibilidade dos produtos e o período escolhido para a compra.