O Junho Laranja, campanha dedicada à conscientização sobre anemia e leucemia, chama atenção para a necessidade do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico diante de sinais que podem indicar doenças sanguíneas. Em Mato Grosso do Sul, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostram que a incidência da leucemia é maior entre homens do que entre mulheres.
Segundo os dados, a taxa estimada é de 7,36 casos para cada 100 mil homens, enquanto entre as mulheres o índice é de 5,25 casos por 100 mil habitantes. No cenário geral, a estimativa estadual é de 6,29 casos para cada 100 mil moradores.
A leucemia é um tipo de câncer que afeta os glóbulos brancos e tem origem, principalmente, na medula óssea. Apesar de ser considerada uma doença rara, especialistas alertam que os sintomas iniciais podem ser confundidos com problemas de saúde mais comuns, o que pode atrasar a busca por atendimento médico.
Sintomas podem ser confundidos com outras doenças
De acordo com o hematologista e professor do Idomed, Emmanuel Lacerda, manifestações como cansaço persistente, fadiga, infecções frequentes e episódios de sangramento merecem atenção.
O especialista explica que nem todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas simultaneamente. Em muitos casos, apenas um sinal pode estar presente nos estágios iniciais da doença, tornando a investigação médica ainda mais importante.
Uma das principais ferramentas para levantar a suspeita de leucemia é o hemograma. O exame de sangue pode identificar alterações que indiquem a necessidade de avaliações complementares e de um diagnóstico mais aprofundado.
A biomédica e docente da Faculdade Estácio, Aclessia Soares, destaca que o hemograma também desempenha papel importante na identificação de anemias e outras alterações hematológicas.
Segundo ela, na anemia, o exame pode apontar redução dos níveis de hemoglobina e hematócrito, além de fornecer informações que ajudam a identificar o tipo da condição. Já nos casos de leucemia, alterações nos leucócitos podem indicar a necessidade de investigação especializada.
Anemia tem diferentes origens
Embora muitas pessoas associem a anemia apenas à deficiência de nutrientes, especialistas lembram que a doença pode ter diferentes causas.
Conforme explica Emmanuel Lacerda, existem anemias adquiridas e hereditárias. As adquiridas podem estar relacionadas a alimentação inadequada, sangramentos, parasitoses e problemas que dificultam a absorção de nutrientes pelo organismo.
Já as formas genéticas são transmitidas entre gerações. Entre as mais conhecidas estão a anemia falciforme e as talassemias, normalmente identificadas ainda nos primeiros anos de vida por meio do teste do pezinho.
Exame anual ajuda no acompanhamento da saúde
Para pessoas sem doenças pré-existentes, o hemograma pode integrar os exames de rotina realizados anualmente. A recomendação dos especialistas é que qualquer sintoma incomum seja avaliado antes do período regular de check-up.
Pacientes com doenças crônicas ou fatores de risco específicos podem necessitar de acompanhamento mais frequente, conforme orientação médica.
Além de contribuir para o diagnóstico, o hemograma também é utilizado para monitorar a eficácia dos tratamentos. A comparação entre exames permite avaliar se os parâmetros sanguíneos estão retornando aos níveis esperados e acompanhar a evolução clínica do paciente.
Especialistas ressaltam que a identificação precoce de doenças como leucemia e anemia amplia as possibilidades terapêuticas e melhora as perspectivas de recuperação dos pacientes.











