Projeto amplia proteção às mulheres, define misoginia como crime de ódio e segue para análise da Câmara dos Deputados
Senado aprova punição mais dura para misoginia e inclui crime na Lei do Racismo
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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O Senado Federal aprovou nesta terça-feira (24) um projeto de lei que eleva o tratamento penal da misoginia no Brasil, passando a enquadrar a prática como crime de preconceito e discriminação. A proposta recebeu 67 votos favoráveis e nenhum contrário e agora será analisada pela Câmara dos Deputados.

A medida altera a legislação atual ao incluir a misoginia na Lei do Racismo (Lei 7.716/1989), estabelecendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa. Hoje, esse tipo de conduta costuma ser enquadrado como injúria ou difamação, com punições mais brandas.

Pelo texto aprovado, a misoginia é definida como a manifestação de ódio, aversão ou desprezo contra mulheres. A proposta também passa a considerar a “condição de mulher” como um dos critérios de interpretação da lei, ao lado de fatores como raça, cor, etnia, religião e procedência nacional.

Mudança no enquadramento penal amplia alcance da lei

A relatora do projeto, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), apresentou um substitutivo para evitar conflitos jurídicos entre normas. A proposta delimita que o Código Penal continuará tratando apenas da injúria em contexto de violência doméstica e familiar, deixando de abranger a chamada injúria misógina, considerada mais grave.

Segundo Soraya, a mudança corrige uma lacuna legal ao tratar a misoginia como um fenômeno estruturado, ligado diretamente à violência contra mulheres.

“A misoginia não se limita a uma manifestação individual de preconceito, mas sustenta e legitima a violência contra mulheres. Equiparar sua repressão à dos crimes de racismo é reconhecer sua gravidade e fortalecer a proteção jurídica”, afirmou.

A senadora também citou dados recentes para justificar a proposta, destacando que, somente em 2025, o Brasil registrou quase 7 mil vítimas de tentativas de feminicídio.

Debate expôs divergências sobre alcance da proposta

Apesar da aprovação unânime, o projeto gerou discussões no plenário. Parte dos parlamentares manifestou preocupação com possíveis impactos sobre a liberdade de expressão e eventuais interpretações amplas da Lei do Racismo.

Houve tentativa de incluir no texto uma ressalva para impedir punições a manifestações de natureza artística, acadêmica, religiosa ou jornalística sem intenção discriminatória. A proposta, no entanto, foi rejeitada.

A relatora argumentou que a Constituição já assegura essas garantias e que não seria necessário repetir esse dispositivo na nova lei.

Proteção às mulheres e resposta institucional

A autora do projeto, senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), defendeu a urgência da medida ao relacionar o avanço da violência contra mulheres com a ausência de mecanismos legais mais específicos.

“Não odiamos os homens nem somos contra a família. Somos a favor das mulheres, que estão pedindo socorro”, declarou.

Após a votação, a senadora relatou ter sido alvo de ameaças e ofensas nas redes sociais por conta da proposta e afirmou que a aprovação representa uma resposta institucional diante desse cenário.

Outros parlamentares também destacaram o crescimento de ataques contra mulheres, especialmente em ambientes digitais, e a necessidade de tipificação como forma de prevenção.

Contexto internacional e próximos passos

Durante a discussão, foi citado que países como França, Argentina e Reino Unido já possuem legislações específicas para combater a misoginia. No Brasil, a nova proposta busca alinhar o ordenamento jurídico a esse movimento internacional.

O texto segue agora para a Câmara dos Deputados, onde poderá sofrer alterações antes de eventual sanção presidencial.

Com informações Agência Senado

SOBRE O AUTOR

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Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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