Com solo encharcado e bairros debaixo d’água, Adriane Lopes diz que gestão atua apenas na resposta emergencial enquanto enfrenta críticas por promessas de obras ainda não executadas
Prefeita admite que não há solução imediata para alagamentos após 360 mm de chuva em Campo Grande
Foto: Eduardo Vilhalba

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Após semanas de temporais e registros sucessivos de alagamentos em Campo Grande, a prefeita Adriane Lopes afirmou que não há medidas imediatas capazes de impedir os transtornos provocados pelo volume acumulado de 360 milímetros de chuva. A declaração foi feita durante coletiva no Paço Municipal, na terça-feira (24), em meio ao agravamento dos impactos em diferentes regiões da Capital.

Segundo a prefeita, o solo está completamente saturado. “Agora, o solo está encharcado, choveu 360 milímetros, o que nós temos que fazer? Esperar passar esse período e recuperar os danos das chuvas, não tem o que fazer, está chovendo”, declarou. A fala reforça que, neste momento, a administração municipal concentra esforços na resposta emergencial. Chuvas intensas agravam crise urbana.

Os alagamentos atingiram bairros como Noroeste, Centro, Tiradentes, Otávio Pécora, Veraneio, Panorama, Oiti, Centenário, Aero rancho e Vila Ipiranga. A mobilidade urbana foi comprometida, com interdições, veículos ilhados e dificuldades no transporte coletivo. Ruas estão intrasitáveis com lama, galhos e buracos que causam transtornos e perdas financeiras para motoristas da capital.

Pontos críticos e impactos diretos

Entre os locais mais afetados estão as avenidas Guaicurus e José Nogueira Vieira, além da Rua Teodomiro Serra. Na Avenida Gunter Hans, na região da Coophavila II, o acúmulo de água próximo ao atacadista Assaí bloqueou o trânsito e deixou veículos danificados. Na rotatória da Coca-Cola, enxurradas interromperam o fluxo de carros.

No dia 23 de fevereiro, um caminhão de coleta de lixo ficou atolado na Rua Tarô Nakazato, no Jardim Itamaracá. Já na Rua Frutuoso Barbosa, na Vila Seminário, a enxurrada transformou a via em um verdadeiro rio. O Lago do Amor e outros córregos também registraram transbordamentos.

Além dos prejuízos materiais, os reflexos atingem serviços essenciais. Escolas e unidades de saúde tiveram funcionamento prejudicado por alagamentos. Ambulâncias enfrentaram dificuldades para acessar bairros com vias tomadas por lama e crateras. Alagamentos impactam serviços públicos.

A deterioração da malha urbana se agrava com a sequência de chuvas. Buracos se multiplicam em corredores estratégicos como a Rua Nove de Julho, que dá acesso ao Hospital Universitário e à Escola Municipal de Educação Infantil Ipiranga, onde já houve registros de acidentes relacionados às condições da pista.

Defesa Civil mobilizada e promessa de obras estruturais

De acordo com a Prefeitura, equipes da Defesa Civil, da Secretaria de Obras e da Assistência Social estão mobilizadas para atendimento às famílias afetadas. O canal 156 permanece disponível para registro de ocorrências.

A prefeita reconhece que áreas que historicamente não sofriam com enchentes passaram a registrar inundações, como a região da Avenida João Arinos, próxima à entrada do bairro Noroeste. Ela atribuiu o fenômeno ao avanço da impermeabilização do solo urbano e às mudanças no padrão das chuvas.

Foto: Divulgação

Como medida estrutural, a gestão aposta na construção de novas bacias de contenção em pontos considerados críticos. Uma delas está em execução no Noroeste. Adriane afirmou que intervenções semelhantes já teriam resolvido problemas em outras regiões, mas admitiu que o período de chuvas contínuas dificulta a conclusão das obras.

Em janeiro, a prefeita anunciou um pacote de obras de asfalto e drenagem em 40 bairros, com previsão de investimento de R$ 544 milhões. A Prefeitura informou que novas intervenções serão planejadas após o levantamento dos prejuízos causados pelos temporais, com o objetivo de reduzir impactos em futuros eventos climáticos extremos. Drenagem e prevenção seguem como promessa.

Na zona rural, moradores da região do Rincão, no distrito de Rochedinho, também relatam dificuldades. A estrada de terra que dá acesso a assentamentos ficou marcada por crateras e atoleiros. Cerca de 130 famílias dos assentamentos Vale do Sol, Beleza Pura, Beleza Joia e Só Alegria dependem de um trecho de aproximadamente sete quilômetros que se torna praticamente intransitável durante as chuvas.

Com 360 milímetros acumulados e solo saturado, Campo Grande enfrenta uma sequência de transtornos que expõe fragilidades na infraestrutura urbana e pressiona a gestão municipal em meio à temporada de temporais.

SOBRE O AUTOR

Foto de Odirley Deotti

Odirley Deotti

Odirley Deotti é jornalista, escritor, designer gráfico e chefe de redação do Guia MS Notícias.

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