Campo Grande vive um cenário sem precedentes no transporte coletivo. A paralisação dos ônibus chegou ao quarto dia consecutivo nesta quinta-feira (17), ultrapassando qualquer outro movimento registrado desde a década de 1990 e se consolidando como a mais longa greve do setor nos últimos 31 anos. Com a frota fora de operação, a circulação de pessoas diminuiu drasticamente, especialmente na região central da Capital, onde lojistas já relatam prejuízos acumulados e queda no fluxo de clientes.
Greve resiste à Justiça e endurece negociações
Diferentemente de paralisações anteriores, o atual movimento segue ativo mesmo após determinação judicial para a retomada imediata do serviço. Os trabalhadores do transporte coletivo condicionam o retorno das atividades ao pagamento integral dos salários em atraso, mantendo o impasse com o Consórcio Guaicurus. Essa postura marca uma ruptura em relação aos últimos anos, quando a categoria optou por atos pontuais, com paralisações de apenas um dia, usadas como forma de protesto e pressão.
População improvisa deslocamentos
Sem ônibus, moradores da Capital precisaram reorganizar completamente a rotina. Aplicativos de transporte, caronas solidárias e longos trajetos a pé passaram a fazer parte do dia a dia. Algumas empresas também auxiliam nesse momento, retardando o início do expediente, fornecendo transporte temporário.
Mesmo com o transtorno, parte dos usuários do transporte coletivo reconhece a legitimidade das reivindicações e associa a greve a problemas estruturais do sistema, que se arrastam há anos.
Comparação com 1994 evidencia agravamento do cenário
Até agora, a maior paralisação do transporte coletivo em Campo Grande havia ocorrido em outubro de 1994, quando os ônibus ficaram parados por três dias. Naquele período, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) cobrava melhorias nas condições de trabalho, o fim das “dobras” de jornada e reajuste salarial.
O contexto econômico também pressionava a categoria. O início do Plano Real gerava insegurança sobre perdas salariais, o que levou à aprovação da greve após assembleia e à publicação de edital em jornal impresso.
Mesmo com tentativa de impedir o movimento na Justiça do Trabalho, a paralisação foi deflagrada dias depois, surpreendendo a população.
Uma tática que ficou marcada: motoristas iniciavam as viagens normalmente e interrompiam o percurso em pontos aleatórios da cidade, ampliando o impacto do protesto.
Desta vez, os ônibus permanecem nas garagens, o Consórcio e a Prefeitura mantém o jogo de empurra-empurra e quem padece é a população, que afinal, é sempre o lado mais fraco da corda.












