Em vídeo publicado nas redes sociais, pároco da Igreja Senhor Bom Jesus emociona fiéis ao relembrar trajetória marcada por resistência, fé e entrega à missão sacerdotal
Após 17 anos, padre de comunidade no Tirandentes compartilha experiência e escolha pela vida religiosa
Padre Márcio participou de solenidade que marcou a comemoração dos seus 17 anos de sacerdócio ao de Dom Vitório. (Foto: Pascom)

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A história vocacional do padre Márcio Reis, pároco da Paróquia Senhor Bom Jesus, em Campo Grande, não começou com um desejo claro de ser sacerdote. “Não começou assim: ‘eu quero ser padre’, né”, relata ele em um vídeo publicado em seu perfil pessoal no Instagram, em colaboração com a conta oficial da paróquia. A gravação, que marca seus 17 anos de sacerdócio, emocionou os fiéis ao trazer à tona uma trajetória de dúvidas, superações e escuta interior.

Aos 14 anos, ainda na catequese do crisma, padre Márcio recebeu o primeiro convite para considerar a vida sacerdotal. “Meu catequista, seu Ademir, olhou pra mim e perguntou: ‘você já pensou em ser padre?’ Claro que eu disse que não, né. Comecei a rir, como todo adolescente faria”, recorda. Na época, ele acreditava que apenas pessoas de famílias “perfeitas” poderiam se tornar padres. “Como eu poderia ser padre? Minha família não é perfeita.”

A inquietação, no entanto, permaneceu. Com 17 anos, já inserido no grupo de jovens da paróquia, viveu um momento de introspecção que se tornaria decisivo: “Fiquei olhando para o horizonte, pensando: ‘um dia tudo isso vai acabar, e eu vou estar onde?’” — foi ali que sentiu o primeiro impulso mais concreto para buscar uma experiência vocacional. A primeira tentativa, junto aos Salesianos, não deu certo. “Esperava um lugar de retiro, de oração… e estavam ouvindo Legião Urbana e jogando sinuca”, contou, entre risos.

Mesmo assim, o chamado insistia. “A voz de Deus me perturbou uns quatro, cinco anos”, compara, citando o profeta Jeremias: “Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir.” Até que, após uma demissão inesperada de uma empresa multinacional em Joinville, onde tentava construir uma carreira, sentiu que Deus o tocava novamente. “Foi uma frustração muito grande. Eu queria uma experiência diferente. Estava numa sorveteria perto da paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e o dono, achando que eu fosse meu irmão gêmeo, perguntou: ‘Você nunca pensou em ir para o seminário?’ Parecia que ele tinha lido meus pensamentos.”

A partir daí, tudo mudou. Padre Márcio fez o encontro vocacional, ingressou na congregação dos Padres da Divina Providência (Orionitas), estudou filosofia, foi missionário na África e concluiu teologia em Florianópolis. Hoje, recorda sua jornada com gratidão. “Sou muito grato a Deus, ao bispo e ao povo de Deus que confiou e que espera em mim a missão. O padre sem o povo não é nada.”

Ao final do vídeo, emocionado, agradece à comunidade pela acolhida e amor. “O que dá alegria para o padre é o seu povo. As pessoas ensinam muito na simplicidade, no sorriso, quando me tomam a bênção. Isso faz o padre tomar consciência do poder que lhe foi conferido.”

A publicação gerou uma enxurrada de comentários carinhosos. “Lindo o seu testemunho, padre Márcio. Que sirva de inspiração para os jovens da nossa paróquia”, escreveu Neuza Balthazar. Já Aparecida HB destacou: “Sou grata pelo seu sim. O Espírito Santo o ilumine e o direcione sempre, para que seja sempre o pastor com cheiro das ovelhas.”

A celebração dos 17 anos de sacerdócio do padre Márcio Reis é, antes de tudo, um testemunho sobre vocação, escuta e coragem de responder ao chamado — mesmo quando ele chega em silêncio ou por caminhos improváveis.

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SOBRE O AUTOR

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Vivianne Nunes

Vivianne Nunes, jornalista, empresária VW Comunicação, radialista, apresentadora do programa Rádio Livre da FM 104,7 e do Podcast Guia +Saúde!

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