Com capacidade para produzir mais de 13 milhões de metros cúbicos de biogás e 7 milhões de biometano por dia, Mato Grosso do Sul reafirma sua posição de destaque no cenário nacional de bioenergia. O potencial foi evidenciado durante a 4ª edição do “Circuito Biogás nos Estados”, realizado nesta semana em Campo Grande pela Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), em parceria com a Semadesc, MSGás, Fiems e Biosul.
No evento, autoridades e especialistas destacaram o papel estratégico do Estado na produção de biocombustíveis a partir de resíduos da suinocultura, bovinocultura e do setor sucroenergético. Três plantas de biometano já estão em operação, e uma quarta, com investimento de R$ 350 milhões da Atvos, foi licenciada em Nova Alvorada do Sul — considerada a maior usina do mundo produzindo o gás a partir da vinhaça.
“O maior diferencial de MS é o potencial energético do agro. O programa Leitão Vida já conta com 270 granjas cadastradas e 43 delas produzem energia o suficiente para abastecer cidades inteiras. E com o MS Renovável estamos fortalecendo essa matriz sustentável”, afirmou o secretário Jaime Verruck (Semadesc).
A presidente da Abiogás, Renata Isfer, apontou que, embora a produção nacional de biometano esteja em torno de 840 mil metros cúbicos por dia, só MS tem potencial para sete milhões. “A força da suinocultura e da bovinocultura faz do Estado um dos principais candidatos a liderar esse setor no Brasil.”
Atualmente, o Estado é o 8º em volume de produção de biometano, mas o governo estadual já reduziu a carga tributária do produto para 12%, com crédito outorgado de até 90%. A presidente da MSGÁS, Cristiane Junqueira, enfatizou que, com mais investimentos e interesse do agro, MS pode se tornar líder na produção e uso do biometano.
Para o presidente da Fiems, Sérgio Longen, o avanço do setor comprova o acerto da aposta na bioenergia. “O Instituto Senai de Inovação em Três Lagoas foi um marco. Hoje, vemos empresas como a JBS trocando o gás natural pelo biometano, contribuindo para a descarbonização industrial.”
Durante o evento, também foi destacada a importância da regulamentação e certificação do setor de bioenergia. “A energia limpa está se tornando uma vantagem competitiva para atrair indústrias. O marco regulatório bem estruturado é essencial para o crescimento sustentável desse setor em MS”, concluiu Jaime Verruck.













