Se tem uma coisa que mãe faz bem é ignorar os próprios sintomas. Uma dorzinha aqui, um cansaço ali, uma febre que a gente jura que “logo passa”. Foi assim comigo essa semana. O que parecia ser apenas uma “gripizinha” virou uma montanha de sintomas que eu tentei ignorar enquanto levava os meninos para lá e para cá, organizava a rotina e fingia que estava tudo sob controle.
Até que não deu mais. A pneumonia chegou sem pedir licença. E aí, minha amiga, o mundo parou. Terapia? Cancelada. Judô e jiu-jitsu? Fora da agenda. Escola? Não rolou.
E eu, que sempre me vi como pilastra inquebrável, precisei de colo. Do colo da minha mãe.
Foi ela quem apareceu, largou tudo e virou minha âncora. Enquanto eu tossia no sofá, ela fazia sopa, dava remédio. E, no meio daquela tempestade, eu me permiti uma coisa rara: ser só filha. Deixar alguém cuidar de mim. Não me cobrar por faltas, atrasos ou agendas desfeitas. Respirar fundo – literalmente – e entender que, às vezes, a força está em parar.
Se fosse em outra época, eu teria me culpado horrores. Teria me torturado pensando na agenda das crianças, nos compromissos, no que ficou pendente. Mas dessa vez, decidi me permitir. Me permitir descansar, ser cuidada, ser frágil.
E, sabe de uma coisa? Foi libertador perceber que, por um momento, eu podia ser apenas filha.
Por isso, precisamos falar sobre isso. A saúde física e mental das mães atípicas não pode ser ignorada. Estamos adoecendo e não só de exaustão, mas de verdade, fisicamente e psicologicamente. O problema é que, muitas vezes, ninguém vê.
Porque descansar não é luxo, mas necessidade: se o corpo pede arrego, ele merece ser ouvido.
Precisamos parar de nos sentir culpadas por precisar de um tempo, por adoecer, por não dar conta de tudo o tempo todo.
Se permitir descansar é um ato de resistência. E, no fim das contas, cuidar de nós mesmas também é uma forma de cuidar dos nossos filhos. Porque uma mãe exausta, doente e sobrecarregada não consegue dar o seu melhor.
Afinal, quem sustenta o mundo de alguém merece ter seu mundo sustentado também.






















