Ah, a maternidade! Aquela montanha-russa de emoções que vai do “nossa, que lindo!” ao “será que eu estou fazendo isso direito?” em questão de segundos. E quando se trata de mais de um filho, então, a coisa fica ainda mais… interessante.
Lembro como se fosse hoje, quando eu era criança, minha mãe me falava que não existia filho preferido, mas aquele que precisa mais de atenção. Naquele momento não entendi direito. Mas hoje, entendo perfeitamente o que ela disse. A maternidade é um jogo de malabarismo: um dia você está focada em um filho, no outro, é o outro que precisa de você. E assim vai, num ciclo infinito de abraços, choros, broncas e “eu te amo”.
Só que, quando a maternidade é típica de um lado e atípica do outro, o malabarismo vira aquela cena de circo em que o palhaço tenta equilibrar pratos em cima de varetas enquanto anda de monociclo. Um filho precisa de terapias, consultas, acompanhamentos… e o outro, bem, ele “só” precisa de você. Só que o “só” acaba virando um “tanto” quando a gente percebe que ele também quer (e merece) sua atenção.
Um dia, o Benjamin soltou a bomba: “eu também queria ter tido um AVC só pra você ficar mais tempo comigo.” Ai, meu coração! Aquilo doeu mais do que tropeçar no Lego de madrugada. E, claro, eu me culpei. Porque é isso que a gente faz, né? Nos culpamos por tudo. Se o filho come pouco, a gente se culpa. Se come muito, a gente se culpa. Se ele cai no parquinho, a gente se culpa. Se ele não cai, a gente se culpa por ter pensado que ele ia cair. É um ciclo infinito de culpas!
Mas foi aí que percebi: o Benjamin não queria um diagnóstico, ele queria se sentir especial. E, cá entre nós, ele tem todo o direito. Afinal, ele passou a vida me acompanhando em salas de espera, terapias e consultas do irmão. Ele via o Samuel recebendo toda a atenção (por necessidade, claro), e aquilo doía nele. E, mesmo que ele entendesse, não deixava de ser difícil.
Aos olhos dele, o “AVC” era um bilhete VIP para ter minha atenção — uma lógica triste e, ao mesmo tempo, genialmente infantil.
Foi então que decidi: chega de culpa, vamos à ação! Coloquei o Benjamin no judô, no jiu-jitsu e na ginástica olímpica. Tudo em uma busca de mostrar que ele também é importante. Ele ficou radiante, e eu… bem, eu fiquei exausta. Minha agenda, que já era um caos, virou um verdadeiro quebra-cabeças.
Descobri que ginástica olímpica inclui mães fazendo ponte (literalmente) entre compromissos e aprendendo a dizer “ossu!” sem rir. Mas cada “mamãe, olha eu aqui!” dele no tatame vale o cansaço.
E, no meio do corre-corre, sempre vem um “eu te amo, mamãe”. E aí, sabe? Tudo faz sentido de novo.
Recentemente, o Benjamin foi diagnosticado com TDAH. Quando eu falei pra ele, ele sorriu e disse: “Agora sou atípico igual o Samuel, né, mamãe?” E, de novo, meu coração apertou. Mas, dessa vez, não foi só de culpa. Foi também de orgulho. Porque, no fim das contas, a maternidade é isso: um aprendizado constante. A gente erra, acerta, se culpa, se perdoa e segue em frente. E, no meio de tudo isso, a gente descobre que o amor não é medido em horas de atenção, mas em abraços apertados, sorrisos espontâneos e “eu te amo” inesperados.
No fim, aprendi que não há diagnóstico, agenda ou culpa que apague a lição que Benjamin me deu: às vezes, o que um filho mais precisa é ouvir que ele é único, mesmo que você precise sussurrar isso no ouvido dele entre uma consulta e um golpe de judô.
Então, não existe mãe perfeita. Existe mãe que faz o melhor que pode com o que tem, na hora que dá. E, no fim do dia, é isso que importa. Porque, no fundo, os filhos não precisam de uma supermãe. Eles só precisam de uma mãe que os ame. E, cá entre nós, isso a gente já faz de montão.






















