OPINIÃO

Como conciliar filhos, sonhos e uma rotina que não perdoa
Quem vê close, não vê o corre!
Foto: Willian Oliveira/VW Comunicação

Clique e ouça a matéria

Sabe aquele ditado popular que diz “quem vê close, não vê corre”? Pois é, ele poderia muito bem ser o lema da maternidade. Esse mês de janeiro foi intenso, parecia não ter fim e, fazendo um balanço, percebo que 2025 promete ser um ano de muita correria, mas também de muitas conquistas. Vários sonhos estão saindo do papel e, às vezes, nem eu acredito na velocidade em que tudo está acontecendo. Mas, é claro, haja pique para dar conta de tudo!

Esse mês que passou foi especialmente movimentado. Iniciei as gravações do meu podcast sobre o caos invisível da maternidade atípica, que será lançado em março. Também participei de reuniões para discutir a criação de uma audiência pública que vai debater diversos aspectos da maternidade atípica. Finalmente, consegui marcar aquele café com as amigas que já fazia anos que tentávamos. E, para fechar com chave de ouro, fui convidada para participar de um projeto literário sobre maternidade. Ufa! E olha que o brasileiro costuma dizer que o ano só começa depois do carnaval, então já deu para imaginar o que vem por aí, né?

Mas, apesar de todas essas conquistas e projetos incríveis, o maior desafio continua sendo conciliar a maternidade com todos esses compromissos. Conseguir cumprir a rotina intensa dos meninos, com suas agendas cheias, e ainda encontrar alguém que possa ficar com eles enquanto eu tento alçar voos é um malabarismo digno de circo. A cada vez que fecho uma agenda, a primeira coisa que me vem à cabeça é: “quem vai ficar com os meninos?”. E aí começa a correria de buscar a rede de apoio. Vó, tia, tio, prima, amiga… todo mundo entra em cena. Quando finalmente consigo resolver, a sensação de alívio é tão grande que me permito sonhar e projetar aquele momento.

E eu sei que essa dificuldade não é exclusividade minha. Essa responsabilidade vem com a maternidade. A maternidade é mágica e nos faz descobrir um amor inimaginável, mas também exige renúncias e que a gente dance conforme a música que ela toca. Ela nos cobra que sempre demos um jeitinho, e quanto mais solitária você estiver nesse processo, mais difícil se torna.

A mulher não pode simplesmente decidir ir para a faculdade, para o emprego, para o salão ou até mesmo para uma simples conversa entre amigas sem que aquela pergunta apareça: “e quem vai ficar com as crianças?”. E quando ela não tem resposta para isso, muitas vezes acaba desistindo. Desistindo do que também é importante para ela.

A maternidade é essencial e sublime, mas nunca podemos esquecer que nós também importamos. Precisamos nos olhar com carinho e colocar nossas necessidades como prioridade. E que a sociedade nos olhe com mais amor e menos julgamento. Afinal, ser mãe é um ato de coragem, mas também é um ato de amor-próprio. E, no meio de tudo isso, um pouco de humor pode ser a salvação. Então, vamos rir das confusões, chorar quando precisar e, acima de tudo, celebrar cada pequena vitória. Porque, no fim do dia, o close pode ser lindo, mas o corre é o que nos faz verdadeiras guerreiras.

SOBRE O AUTOR

Foto de Karen Andrielly

Karen Andrielly

"Os artigos assinados por editores convidados refletem as opiniões e visões pessoais dos autores e não necessariamente representam a posição editorial deste jornal. O conteúdo é de inteira responsabilidade dos respectivos colaboradores."

Que tal assinar nossa Newsletter e ficar por dentro das novidades?

[newsletter]

LEIA