Não é cômico, nem trágico. É cansaço que dói!

Não é cômico, nem trágico. É cansaço que dói!

Seria cômico, se não fosse trágico? Sim, é uma pergunta bem clichê eu sei, mas a cena que descrevo agora pode ser digna de um roteiro de humor, só que não é. O telefone tocou em meio a reunião tradicional de segunda-feira do estudo bíblico. Já passava das 20h e esse era um compromisso com o qual ela tinha muito respeito e responsabilidade. Mesmo cansada, escorada na poltrona, no esposo, estava lá, ouvindo a palavra de Deus e tentando ser atenta. Em meio a tudo isso, o telefone toca. Na tela, ligação da filha. O pensamento da gente é tão rápido, às vezes a gente faz as coisas no piloto automático e nem se dá conta. Naquele momento, além da preocupação pelo telefonema, já que a filha sabe que não é momento de interromper, o que poderia indicar que algo ruim teria acontecido, ela também teve a preocupação de não atrapalhar o encontro com o telefone. Sem tirar os olhos da tela, já que era uma vídeo chamada, levantou-se e foi direto para o outro cômodo para atendê-la. E eis que no meio do caminho, havia uma porta de vidro. Sim, ela passou essa vergonha. Apesar de ter saído sorrateira para não atrapalhar, acabou se tornando a grande piada da noite. O marido, levantou-se depressa. Não para ver se ela tinha se machucado, mas para criticar o quão distraída a esposa era. No fim, ela riu bastante da situação, já que tinha tirado todo mundo do foco mesmo sem querer e como dizem, “tá tudo bem, tá tudo certo”! Não, não tá tudo bem! Não está tudo certo, não! Ela está cansada. Tem preocupações que ultrapassam a velocidade do pensamento ou da ação, tem dores que ninguém conhece, tem sonhos que já nem lembra mais quais são. O videozinho da câmera de segurança, obviamente, virou meme. Todos riram, ela riu muito também, por fora. Por dentro estava exausta!