Entre o amor e o perdão

Entre o amor e o perdão

Hoje acordei com uma pergunta que ecoava em silêncio dentro de mim: por que é tão difícil o desejo de amar?Seria pelas crises do ego, que tantas vezes nos aprisionam?Ou será simplesmente porque amar, de fato, é difícil — pois amar é aceitar o outro como ele é, mesmo quando é tão diferente de mim. Talvez passemos anos e anos dentro de templos julgando, sendo preconceituosos, fazendo acepção de pessoas, tão ortodoxos a ponto de acreditarmos que apenas nós merecemos as dádivas do alto. Mas… será que isso é amor? Para que haja amor, é preciso que haja plenitude em cada passo da jornada, fraternidade e virtude no nosso caminhar breve e passageiro.Amor é beneficência… preciosidade… bondade… afeição… amizade verdadeira… benevolência… caridade.É o reflexo do amor de um Ser transcendente derramado sobre nós, para que possamos também derramar sobre o próximo. Sim, amar é difícil — porque amar também é perdoar.E, muitas vezes, o perdão mais desafiador é aquele que devemos conceder a nós mesmos.O perdão humano, afinal, deveria ser um espelho do perdão divino. Perdoar não significa apenas um abraço ou um choro.Perdoar é provar, por meio de ações, um favor concedido de forma incondicional.Porque amor e perdão caminham juntos:quem ama, perdoa…e quem perdoa, é porque ama. Mas perdoar não significa permanecer ao lado de quem nos feriu — significa apenas libertar o coração da dor, e esquecer o peso do que um dia foi feito contra nós.

Não é cômico, nem trágico. É cansaço que dói!

Não é cômico, nem trágico. É cansaço que dói!

Seria cômico, se não fosse trágico? Sim, é uma pergunta bem clichê eu sei, mas a cena que descrevo agora pode ser digna de um roteiro de humor, só que não é. O telefone tocou em meio a reunião tradicional de segunda-feira do estudo bíblico. Já passava das 20h e esse era um compromisso com o qual ela tinha muito respeito e responsabilidade. Mesmo cansada, escorada na poltrona, no esposo, estava lá, ouvindo a palavra de Deus e tentando ser atenta. Em meio a tudo isso, o telefone toca. Na tela, ligação da filha. O pensamento da gente é tão rápido, às vezes a gente faz as coisas no piloto automático e nem se dá conta. Naquele momento, além da preocupação pelo telefonema, já que a filha sabe que não é momento de interromper, o que poderia indicar que algo ruim teria acontecido, ela também teve a preocupação de não atrapalhar o encontro com o telefone. Sem tirar os olhos da tela, já que era uma vídeo chamada, levantou-se e foi direto para o outro cômodo para atendê-la. E eis que no meio do caminho, havia uma porta de vidro. Sim, ela passou essa vergonha. Apesar de ter saído sorrateira para não atrapalhar, acabou se tornando a grande piada da noite. O marido, levantou-se depressa. Não para ver se ela tinha se machucado, mas para criticar o quão distraída a esposa era. No fim, ela riu bastante da situação, já que tinha tirado todo mundo do foco mesmo sem querer e como dizem, “tá tudo bem, tá tudo certo”! Não, não tá tudo bem! Não está tudo certo, não! Ela está cansada. Tem preocupações que ultrapassam a velocidade do pensamento ou da ação, tem dores que ninguém conhece, tem sonhos que já nem lembra mais quais são. O videozinho da câmera de segurança, obviamente, virou meme. Todos riram, ela riu muito também, por fora. Por dentro estava exausta!