Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram sequenciar o genoma do açaí (Euterpe oleracea), uma das espécies mais importantes para a bioeconomia da Amazônia. A descoberta deve acelerar o desenvolvimento de novas variedades da palmeira, facilitar a identificação de características desejáveis da planta e ampliar as possibilidades de uso do fruto em diferentes setores industriais.
O trabalho foi desenvolvido por cientistas da Embrapa Amazônia Oriental, em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), e teve os resultados publicados na revista científica Genome. Os dados do sequenciamento também serão disponibilizados em uma base pública para uso da comunidade científica.
Conhecimento genético pode reduzir tempo de pesquisas
Com o mapeamento do DNA do açaizeiro, os pesquisadores poderão localizar genes ligados a características como produtividade, concentração de antocianinas — pigmentos naturais responsáveis pela coloração roxa do fruto — e resistência a doenças. Segundo a equipe, esse conhecimento pode reduzir em até três vezes o tempo necessário para as etapas de avaliação e seleção realizadas em programas convencionais de melhoramento genético.
A comparação entre variedades de frutos roxos e do chamado "açaí branco" também permitiu identificar diferenças na expressão dos genes responsáveis pela produção de antocianinas, contribuindo para compreender por que as duas variedades apresentam colorações distintas.
Aplicações vão além da agricultura
Além do uso no melhoramento genético da cultura, o sequenciamento cria novas oportunidades para pesquisas em biotecnologia. A identificação dos genes relacionados à produção de compostos de interesse poderá viabilizar estudos voltados à obtenção de substâncias utilizadas pelas indústrias farmacêutica e cosmética, como antioxidantes e corantes naturais, por meio de processos biotecnológicos realizados em laboratório.
Segundo o professor Rafael Baraúna, da UFPA e um dos autores do estudo, esse caminho pode tornar a produção dessas moléculas mais sustentável, reduzindo a necessidade de exploração direta da planta no ambiente natural.
Quatro décadas de pesquisa com o açaizeiro
A Embrapa desenvolve pesquisas com o açaí desde a década de 1990. Nesse período, lançou cultivares adaptadas ao cultivo em terra firme, como a BRS Pará, em 2005, e a BRS Pai d'Égua, em 2019. O novo conhecimento genético deve ampliar a eficiência das próximas etapas de desenvolvimento de variedades, inclusive aquelas adaptadas a diferentes condições de cultivo.
Com informações da Embrapa