Uma série de furtos de cabos de cobre utilizados em sistemas de irrigação tem gerado preocupação entre produtores rurais de Mato Grosso do Sul. As ocorrências foram registradas em fazendas localizadas nas regiões de Bandeirantes, Jaraguari e Ribas do Rio Pardo, onde criminosos invadiram propriedades, danificaram equipamentos e provocaram prejuízos elevados. A Polícia Militar informou que já identificou os suspeitos e intensificou o policiamento na área. 

Um dos casos ocorreu na Fazenda Cachoeira, em Bandeirantes, entre a noite de 22 de junho e a madrugada do dia seguinte. Os invasores entraram na casa de bombas de um dos pivôs de irrigação e retiraram cabos de energia de maior espessura, utilizados no funcionamento do equipamento. 

Segundo o gerente da propriedade, Diego Silva dos Santos, a rede elétrica havia sido desligada preventivamente em razão das chuvas, situação que teria facilitado a ação criminosa. 

"Eles entraram em um dos pivôs, na casa de bombas, e levaram toda a fiação mais grossa de energia. A gente tinha desligado a rede por conta das últimas chuvas para evitar queimar os equipamentos. Eles chegaram com uma esmerilhadeira, cortaram os cabos e ainda fizeram muita bagunça nos painéis de acionamento dos pivôs", relatou. 

Os danos na fazenda foram estimados em cerca de R$ 70 mil, considerando tanto a reposição da fiação quanto os estragos causados nos equipamentos elétricos. 

Além das perdas financeiras, o gerente afirma que os furtos alteraram a rotina da propriedade e aumentaram a preocupação entre trabalhadores e administradores. 

"Todo mundo fica apreensivo porque você não se sente seguro. Além do impacto financeiro muito grande, causa um estresse emocional na fazenda", afirmou. 

Após o registro do boletim de ocorrência, a fazenda ampliou o monitoramento durante o período noturno. 

Produtores acreditam que ações são planejadas

 Relatos de produtores rurais indicam que os criminosos atuam com planejamento e conhecimento técnico sobre os sistemas de irrigação. Um agricultor que possui propriedade às margens da MS-134 afirmou que os autores estudam previamente a rotina das fazendas antes de cometer os furtos.
 
"O cara que está maquinando isso aí tem tempo para pensar. Ele não entra de qualquer jeito. Já vem preparado e, muitas vezes, observando os horários. Pode ter certeza que escolhem um dia de chuva, quando ninguém vai fazer irrigação e a propriedade fica mais quieta", disse.

Na avaliação do produtor, quem pratica esse tipo de crime conhece os equipamentos utilizados no campo e chega às propriedades preparado para executar a ação.

"Quem vem roubar isso aí não é aventureiro. Os caras já sabem de tudo, sabem como fazer. Eles chegam com alicate de corte, bastão para desligar a energia e as ferramentas certas. Não vêm de qualquer jeito." Como medida preventiva, ele informou que passou a realizar mais rondas durante a noite e orientou funcionários e vizinhos a manterem atenção redobrada.

"A gente redobrou a atenção durante a noite e fez mais de uma ronda. Também avisei os vizinhos para ficarem atentos. Mesmo quem está mais afastado sabe que hoje ninguém está livre. Da mesma forma que alguém encontra uma fazenda pelo GPS, os criminosos também conseguem."
 
De acordo com informações reunidas pela equipe de campo da Aprosoja/MS, propriedades das regiões de Bandeirantes e Jaraguari registraram ocorrências semelhantes nos últimos meses. Alguns produtores afirmam que determinadas fazendas já foram alvo dos criminosos em três ocasiões. Em um dos episódios, os suspeitos não conseguiram retirar os cabos, mas derrubaram o painel elétrico do sistema de irrigação.
 
Há relatos de que pelo menos seis propriedades rurais já sofreram tentativas ou consumação desse tipo de crime na região.
 
Outro produtor, que preferiu não se identificar, contou que criminosos chegaram a desenterrar cabos subterrâneos para furtá-los. Segundo ele, os envolvidos nesse caso foram presos posteriormente em Bataguassu, e a investigação apontou a participação de um ex-prestador de serviços da fazenda.
 

Polícia intensifica patrulhamento

 A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou à Aprosoja/MS que já tomou conhecimento das ocorrências e trabalha para localizar os responsáveis. Em resposta encaminhada à entidade, a corporação declarou: "Já estamos cientes e já temos as informações dos autores. Já estamos na área. É questão de tempo para prender".
 
A PM também informou que determinou o reforço das rondas policiais nas regiões onde os furtos foram registrados.
 
A Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Deleagro), da Polícia Civil, também foi procurada para informar sobre as investigações e o número de ocorrências registradas. Até o fechamento do levantamento da Aprosoja/MS, não havia manifestação da especializada.
 
Os produtores alertam que a retirada dos cabos compromete o funcionamento dos pivôs de irrigação justamente no período de preparação das propriedades para as próximas safras. Além do prejuízo financeiro causado pela reposição dos equipamentos, os relatos apontam aumento da insegurança nas áreas rurais, levando diversas fazendas a ampliar medidas de vigilância.