Recentemente, deparei-me com uma frase que me levou a uma profunda reflexão sobre o verdadeiro papel de um assessor na administração pública, nas instituições e em qualquer ambiente de liderança:
"O verdadeiro assessor não é o que concorda para agradar; é o que discorda para servir. E o verdadeiro líder não é o que se isola em sua certeza, mas o que ouve com humildade o alerta do escravo: memento mori."
Confesso que essas palavras permaneceram ecoando em minha mente. Em uma época em que muitos confundem lealdade com submissão e fidelidade com silêncio, essa frase nos recorda uma verdade que atravessa os séculos: servir não significa dizer apenas aquilo que o líder deseja ouvir; servir é ter a coragem de dizer aquilo que ele precisa ouvir.
Ao longo da minha trajetória na vida pública, compreendi que um assessor de excelência não se mede pela quantidade de elogios que dirige ao seu superior, mas pela sua capacidade de contribuir para decisões mais equilibradas, responsáveis e justas. O assessor não existe para alimentar vaidades. Sua missão é proteger a instituição, preservar a credibilidade da gestão e oferecer ao líder diferentes perspectivas antes que uma decisão seja tomada.
Com o passar dos anos, também aprendi que um grande assessor não pode ser apenas técnico. O conhecimento técnico é indispensável, mas, isoladamente, não basta. É necessário compreender a dimensão política das decisões, conhecer a realidade da sociedade, entender o ambiente institucional, avaliar os impactos de cada escolha e dialogar com diferentes atores. Da mesma forma, não basta possuir habilidade política sem sólido preparo técnico. Sem conhecimento da legislação, planejamento, capacidade analítica e responsabilidade administrativa, as decisões podem perder consistência e comprometer os resultados da gestão.
Por isso, acredito que o assessor de excelência é aquele que reúne duas qualidades inseparáveis: competência técnica e inteligência política. A técnica oferece segurança, legalidade e eficiência; a política proporciona sensibilidade, articulação, diálogo e visão estratégica. Quando essas duas dimensões caminham juntas, o líder passa a contar com um assessor capaz de enxergar não apenas o que é possível fazer, mas também o que é mais prudente, oportuno e benéfico para a administração e para a sociedade.
A expressão latina memento mori, que significa "lembra-te de que és mortal", possui um significado muito mais profundo do que simplesmente recordar a finitude da vida. Na tradição romana, havia o costume de um servo acompanhar os generais durante os desfiles de vitória para lhes recordar que, apesar das conquistas e das honrarias, continuavam sendo seres humanos. Era um permanente convite à humildade.
Essa imagem permanece extremamente atual. Todo líder, independentemente da posição que ocupa, precisa estar cercado por pessoas que tenham liberdade para apresentar riscos, apontar equívocos, sugerir caminhos diferentes e, quando necessário, discordar com respeito, responsabilidade e espírito de colaboração.
Discordar não significa deslealdade. Pelo contrário, muitas vezes representa a mais elevada demonstração de compromisso. Quem concorda com tudo apenas para preservar privilégios ou garantir espaço pode até agradar momentaneamente, mas dificilmente contribuirá para uma gestão sólida, segura e duradoura.
Da mesma forma, o líder que rejeita opiniões divergentes corre o risco de construir uma realidade artificial ao seu redor. Quando todos dizem apenas "sim", perde-se a riqueza do debate, da análise crítica e da inteligência coletiva. As melhores equipes são formadas por profissionais que aliam competência técnica, independência intelectual, maturidade política e compromisso com o interesse público.
Tenho convicção de que os grandes líderes deixam um legado porque souberam ouvir. Da mesma forma, os grandes assessores fazem a diferença porque compreendem que sua missão vai muito além da execução de tarefas administrativas. Eles previnem crises, antecipam problemas, apresentam soluções, constroem pontes entre o governo e a sociedade e oferecem segurança para que as decisões sejam tomadas com responsabilidade.
Na administração pública, essa postura torna-se ainda mais relevante, pois cada decisão impacta diretamente a vida de milhares de pessoas. Por isso, o assessor precisa atuar com ética, discrição, preparo técnico, visão política e coragem moral. Seu compromisso deve ser sempre com a verdade, com a legalidade, com a eficiência, com o diálogo e, acima de tudo, com o interesse público.
A confiança entre líder e assessor não nasce da concordância permanente, mas da sinceridade responsável. Um bom assessor sabe escolher o momento, a forma e as palavras adequadas para apresentar uma opinião divergente, sempre com respeito, argumentos sólidos e espírito colaborativo.
A frase que li resume uma filosofia de liderança que merece ser cultivada diariamente. Ela nos lembra que o verdadeiro assessor serve à missão, e não ao ego. Serve ao líder sem abrir mão da verdade. Ao mesmo tempo, recorda ao verdadeiro líder que a humildade para ouvir é uma das maiores virtudes de quem deseja governar, administrar ou conduzir pessoas.
Acredito que toda gestão se fortalece quando existe espaço para o diálogo franco, para o pensamento crítico e para o aconselhamento honesto. Fortalece-se, sobretudo, quando seus assessores conseguem unir conhecimento técnico, sensibilidade política e profundo compromisso institucional. Afinal, líderes passam, mandatos terminam, cargos são temporários, mas os valores, as decisões corretas e o legado construído permanecem.
Faço dessa reflexão um compromisso pessoal. Continuarei exercendo a função de assessor com lealdade, responsabilidade, preparo técnico, maturidade política e coragem para dizer a verdade sempre que ela for necessária. Afinal, servir bem é, muitas vezes, ter a humildade de discordar para proteger, orientar e fortalecer quem lidera. Estou convencido de que é dessa forma que se constrói uma gestão verdadeiramente eficiente, humana, estratégica e comprometida com o bem comum.
O assessor que serve à verdade fortalece a liderança
O papel do assessor é contribuir para decisões equilibradas, preservando a ética, a instituição e o interesse público
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