Mais da metade das lavouras de milho segunda safra de Mato Grosso do Sul já saiu do campo. O levantamento mais recente do Projeto SIGA-MS aponta que 63,9% dos 2,206 milhões de hectares cultivados com o cereal foram colhidos na safra 2025/2026.

Apesar do avanço, o ritmo dos trabalhos está 2,9 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período da temporada anterior. A diferença, porém, não se distribui de maneira uniforme pelo Estado, já que algumas regiões apresentam uma colheita mais adiantada que outras.

No Norte, 76,4% da área monitorada já foi colhida. A região Centro aparece na sequência, com 64,9%, enquanto o Sul soma 61,6%.

Produtividade é estimada em 84,2 sacas por hectare

O acompanhamento também mostra que a maior parte das lavouras avaliadas apresenta boas condições. Essa classificação corresponde a 69% da área monitorada.

Em outros 19,7% dos campos, as condições foram consideradas regulares. Já 11,3% receberam avaliação ruim, com maior concentração nas regiões Centro e Sul-Fronteira.

A produtividade média projetada para a segunda safra é de 84,2 sacas por hectare.

Os dados são levantados pelo Projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc.

Milho ocupa 46% da área cultivada com soja

A segunda safra também ocorre em meio a mudanças na distribuição das áreas agrícolas do Estado. Os 2,206 milhões de hectares destinados ao milho representam 46% da área ocupada pela soja.

Parte desse movimento está relacionada às regras do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), que levaram produtores a reorganizar o planejamento das propriedades e direcionar áreas para outras culturas e atividades.

Entre as alternativas utilizadas estão sorgo, chia, carinata, milheto, melancia e pastagens.

Na avaliação do coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, a alteração na área de milho deve ser entendida dentro de uma estratégia mais ampla dos produtores.

“A redução da área de milho não representa uma diminuição da atividade agrícola em Mato Grosso do Sul, mas uma mudança na composição das culturas. O produtor está ajustando o planejamento da propriedade às condições de risco climático e às oportunidades de mercado, buscando maior segurança e eficiência no uso da área”, afirmou.

Previsão de calor intenso muda com chegada de frente fria

O comportamento do clima é outro fator acompanhado durante o período de colheita. A previsão do CEMTEC/SEMADESC indica temperaturas que podem chegar a 40°C nos próximos dias, principalmente nas regiões Norte e Pantanal.

Depois do período de calor, a chegada de uma frente fria deve provocar queda nas temperaturas na metade sul de Mato Grosso do Sul. Nessa área, as mínimas podem ficar entre 7°C e 11°C.

O monitoramento meteorológico também aponta probabilidade de 90% de atuação de um evento de El Niño de intensidade forte a muito forte durante o segundo semestre.