Os efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia voltaram a alcançar o mercado brasileiro de combustíveis. Após sucessivos ataques ucranianos contra refinarias e instalações de armazenamento de petróleo, o governo russo decidiu interromper temporariamente as exportações de diesel. A medida reduz a oferta global do combustível e coloca o Brasil, um dos principais compradores do produto russo, diante da possibilidade de aumento nos custos de importação e de pressão sobre os preços internos. 

Ataques atingem produção de combustíveis

Nos últimos meses, drones ucranianos passaram a atingir refinarias, terminais e estruturas de distribuição de combustíveis em território russo. Os ataques provocaram queda na capacidade de processamento de petróleo, redução da oferta e dificuldades de abastecimento em diversas regiões da Rússia, onde motoristas enfrentam filas e escassez de combustíveis. 

Em resposta ao cenário, o presidente Vladimir Putin determinou a suspensão das exportações de diesel até 31 de julho, priorizando o abastecimento interno. O governo russo também autorizou a ampliação das importações de combustíveis para compensar a redução da produção nacional. 

Brasil depende do diesel russo

A decisão tem potencial para gerar reflexos no mercado brasileiro porque a Rússia se consolidou, desde 2023, como a principal fornecedora de diesel ao Brasil, superando os Estados Unidos. Em 2025, o país foi o terceiro maior comprador do combustível russo no mundo. 

Dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) mostram que as importações brasileiras de diesel vindo da Rússia caíram 65% entre maio e junho deste ano. No mesmo período, aumentaram as compras do produto dos Estados Unidos, numa tentativa de compensar a redução da oferta russa. 

Mercado internacional reage

A interrupção das exportações também elevou os preços do diesel no mercado internacional, que já vinha operando sob pressão em razão dos conflitos geopolíticos. Com menor disponibilidade do combustível, importadores precisam buscar novos fornecedores, o que pode elevar os custos logísticos e influenciar o preço final pago pelos consumidores. 

Especialistas avaliam que, caso a restrição nas exportações russas se prolongue ou novos ataques comprometam a infraestrutura energética do país, o mercado global poderá enfrentar um período de maior volatilidade nos preços dos derivados de petróleo.

Com informações DW Brasil