A destruição de imagens sacras, os ataques a igrejas e a violência contra comunidades tradicionais foram apontados pela deputada estadual Gleice Jane (PT) como sinais de preocupação com a liberdade religiosa no Brasil. Durante sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), na quarta-feira (14), a parlamentar questionou o uso da religião em conflitos políticos e defendeu a preservação das liberdades fundamentais.
A manifestação ocorreu após um pronunciamento do deputado Pedro Kemp (PT), que abordava a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a continuidade de políticas sociais e os direitos trabalhistas. Ao participar da discussão, Gleice Jane ampliou o enfoque para a intolerância religiosa e os riscos de violência associados à polarização política.
“Eu queria ir para além desse debate da corrupção, falar um pouco dos conceitos ideológicos que estão em disputa nesse país neste momento e o risco de violência que a gente já vem acompanhando nesses dias”, afirmou.
Ataques atingem diferentes tradições religiosas
Ao mencionar episódios registrados em Mato Grosso do Sul, a deputada recordou ataques a terreiros de religiões de matriz africana e a casas de reza de comunidades indígenas. Ela também citou ameaças dirigidas a mulheres indígenas.
“Nós vimos diversas vezes, e combatemos aqui no Estado, ataques aos terreiros, ataques às casas de reza indígena. Foram ameaças às mulheres das aldeias, disseram para elas que iam queimá-las, como queimaram as mulheres na Inquisição”, declarou.
Gleice Jane também chamou a atenção para ocorrências envolvendo igrejas católicas, com relatos de invasões, destruição de imagens religiosas e violência contra integrantes do clero.
“Foram diversas igrejas invadidas, com destruição dos santos, ataques violentos aos padres e a Nossa Senhora. Que momento é esse que nós estamos vivendo na política, em que as pessoas deixaram de ter direito à sua liberdade religiosa?”, questionou.
Denúncias de intolerância religiosa no Brasil
O tema também chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em setembro, o ministro Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigasse denúncias de ataques a imagens sacras e espaços religiosos.
Dados do Ministério dos Direitos Humanos citados no material apontam 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Durante a sessão, a deputada associou a hostilidade contra manifestações religiosas a um cenário mais amplo de confrontos ideológicos. Ela também criticou o negacionismo científico e os ataques a instituições de ensino.
“Que momento é esse que nós estamos vivendo? É a volta da Inquisição? É a volta de um momento em que se negava a ciência, do negacionismo?”, afirmou.
Ao encerrar sua manifestação, Gleice Jane destacou a preocupação com o futuro das liberdades no país, incluindo o direito de professar uma religião e a autonomia da ciência.
“O que me preocupa é que futuro nós vamos ter diante de tantas ameaças e ataques a todo tipo de liberdade, de liberdade religiosa e de liberdade também da ciência aqui no país”, concluiu.