A Câmara Municipal de Campo Grande aprovou, nesta quinta-feira, a convocação do secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, para prestar esclarecimentos sobre a operação tapa-buraco na Capital. O comparecimento está previsto para a sessão ordinária de 20 de outubro, em meio a críticas de vereadores sobre a execução dos reparos, a qualidade do asfalto e a falta de respostas às reclamações dos moradores.
O Requerimento 84 é de autoria dos vereadores Professor Riverton, Dr. Lívio, Carlos Augusto Borges, o Carlão, e Epaminondas Neto, o Papy, presidente da Casa. Durante a sessão, parlamentares cobraram informações sobre custos, planejamento, prazos e critérios utilizados para definir os locais atendidos pelas equipes.
Papy afirmou que os vereadores apresentaram mais de 9 mil indicações relacionadas a serviços de tapa-buraco apenas no primeiro semestre de 2026. Segundo ele, além das indicações, o Legislativo aprovou requerimentos e agora recorre à convocação do secretário para buscar esclarecimentos sobre a execução do serviço.
“Todos os dias a população está sofrendo com prejuízos e até mesmo acidentes nos buracos. O Legislativo tem utilizado as ferramentas que estão disponíveis para tentar auxiliar o Executivo na resolução desse problema. Agora vamos em busca de soluções definitivas com a convocação do secretário”, declarou.
Vereadores questionam qualidade e planejamento do serviço
O vereador Professor Riverton defendeu que o secretário compareça à tribuna para apresentar o que a Prefeitura pretende fazer para melhorar a situação das ruas. Ele contestou a atribuição dos problemas às chuvas e afirmou que o período de estiagem deveria ter sido aproveitado para executar os reparos. Também mencionou a falta de pagamento a fornecedores e questionou a informação de que seriam tapados 2 mil buracos por dia.
“É preciso trabalhar manhã, tarde e noite”, disse Riverton. O vereador também cobrou explicações sobre os resultados apresentados pela administração municipal. “É primordial que ele fale na Tribuna para todos os campo-grandenses”.
Dr. Lívio, por sua vez, afirmou que os moradores estão exaustos com a situação e cobrou transparência para esclarecer se as dificuldades decorrem da falta de equipes, de recursos financeiros ou de decisões políticas.
“Não dá mais. A gente tem que cobrar a efetividade desse serviço para a população”, declarou.
A vereadora Ana Portela levou um pedaço de asfalto à sessão para questionar a qualidade dos reparos. Ao mostrar o material, afirmou: “Você pega isso e esfarela”. Ela também lembrou de uma reunião anterior com o secretário sobre o planejamento dos serviços e questionou a destinação dos recursos utilizados na operação.
Vereadores articulam investigação por CPI
As críticas também chegaram à possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O vereador Maicon Nogueira defendeu a apuração de custos e prazos dos serviços e afirmou que o planejamento deve considerar critérios técnicos para priorizar os pontos mais críticos da cidade.
“Precisamos investigar isso por meio de uma CPI”, disse.
A vereadora Luiza Ribeiro já está reunindo assinaturas para propor uma comissão destinada a investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buraco em Campo Grande. Ela defende que a população tenha acesso a informações sobre os gastos e os motivos pelos quais os problemas persistem.
“A população de Campo Grande precisa saber quanto está sendo gasto, como os serviços são executados e por que os problemas persistem. Afinal, a manutenção das ruas é um serviço público essencial, e a população tem o direito de saber como seu dinheiro está sendo aplicado”, afirmou.
Câmara pede documentos sobre negociação do Consórcio Guaicurus
Na mesma sessão, os vereadores aprovaram o Requerimento 83, de autoria de Maicon Nogueira, que solicita à prefeita Adriane Lopes informações e documentos sobre a negociação para aquisição das empresas integrantes do Consórcio Guaicurus pelo Grupo HP Mobilidade, por meio da empresa Maas Administração e Participações Ltda.
O pedido reúne 16 questionamentos, incluindo informações sobre valores, composição societária e fiscalização da operação do transporte coletivo da Capital.