A próxima safra de soja em Mato Grosso do Sul começará sob influência do El Niño. Com a confirmação do fenômeno climático e a expectativa de fortalecimento nos próximos meses, produtores que se preparam para iniciar a semeadura, autorizada a partir de setembro, terão um cenário diferente do observado no ano passado.
Levantamento do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) aponta que o trimestre entre agosto e outubro deverá registrar chuvas ligeiramente acima da média histórica. Apesar da perspectiva favorável, a distribuição das precipitações e as temperaturas elevadas continuarão sendo fatores decisivos para o sucesso da implantação das lavouras.
Calor e umidade do solo exigirão planejamento
Embora o aumento das chuvas seja esperado, agosto e boa parte de setembro ainda fazem parte da transição entre o período seco e o início da estação chuvosa. Nesse intervalo, o Cemtec prevê temperaturas acima da média e maior probabilidade de ondas de calor.
Essas condições elevam a evaporação e podem reduzir rapidamente a umidade disponível no solo, tornando fundamental o acompanhamento das condições climáticas antes do início da semeadura.
Cenário é mais favorável que o do ano passado
As projeções indicam melhora nas condições climáticas para setembro e outubro, principalmente nas regiões sul, centro e leste de Mato Grosso do Sul.
Caso as chuvas previstas ocorram de forma regular, haverá condições para antecipar o plantio em áreas que apresentem boa cobertura vegetal e maior capacidade de retenção de umidade.
Momento do plantio influencia produtividade
A fase inicial da lavoura é considerada uma das mais importantes para o desempenho da soja. A germinação depende da presença de umidade adequada e, quando o plantio ocorre sob calor intenso e chuvas irregulares, aumentam as chances de falhas na emergência das plantas, necessidade de replantio e redução do potencial produtivo.
Por outro lado, realizar a semeadura logo após a consolidação das chuvas favorece o desenvolvimento das cultivares predominantes em Mato Grosso do Sul, cujo ciclo varia entre 90 e 120 dias. Com isso, etapas como florescimento, formação das vagens e enchimento dos grãos tendem a ocorrer em períodos historicamente mais favoráveis quanto à disponibilidade de água.
Plantio antecipado também beneficia a segunda safra
Além de favorecer o desenvolvimento da soja, a antecipação da semeadura amplia a janela para o cultivo do milho segunda safra e ajuda a reduzir riscos relacionados à ferrugem-asiática.
Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, práticas de conservação do solo também fazem diferença diante das oscilações climáticas.
"Outro diferencial está na adoção de sistemas conservacionistas. Áreas conduzidas com boa cobertura de palhada, maior teor de matéria orgânica e adequada estrutura física do solo apresentam maior capacidade de infiltração e armazenamento de água, reduzindo os impactos de eventuais irregularidades climáticas e proporcionando maior estabilidade produtiva."
Diante desse cenário, a orientação é que os produtores acompanhem as atualizações das previsões meteorológicas, avaliem a umidade do solo antes do plantio e adotem estratégias que preservem a cobertura vegetal. O Cemtec também alerta que as temperaturas acima da média previstas para o trimestre aumentam o risco de incêndios em áreas rurais, exigindo atenção durante as atividades no campo.