A forte dependência do transporte rodoviário continua sendo um dos principais entraves para a competitividade do agronegócio de Mato Grosso do Sul. Um estudo elaborado por economistas da Aprosoja/MS mostra que cerca de 80% da produção agrícola do Estado é escoada por estradas, cenário que amplia os custos logísticos e aumenta a pressão sobre a infraestrutura viária.

Segundo a análise, investimentos previstos para os próximos anos em rodovias, ferrovias e hidrovias têm potencial para reduzir em até 26% o custo do transporte da produção agrícola, favorecendo principalmente as cadeias da soja e do milho.

Frete pesa no custo da produção

Mato Grosso do Sul responde por aproximadamente 9% da produção nacional de soja, ocupando a quinta posição entre os maiores produtores do país. No milho de segunda safra, o Estado aparece em quarto lugar, com participação de cerca de 8,1% da produção brasileira.

Apesar da força no campo, os custos para levar a produção aos mercados ainda comprometem parte da rentabilidade dos produtores.

De acordo com a Aprosoja/MS, o frete pode representar até 60% do valor do milho e 25% do valor da soja, dependendo da distância e da estrutura disponível para o transporte.

Rodovias concentram o escoamento

O levantamento aponta que aproximadamente 80% da produção agrícola de Mato Grosso do Sul segue pelas rodovias. As ferrovias respondem por apenas 2% da movimentação, enquanto o restante utiliza hidrovias.

Na avaliação dos economistas da entidade, essa concentração torna o transporte mais caro e reduz a eficiência logística do Estado, além de elevar o desgaste da malha rodoviária.

O estudo destaca que os modais ferroviário e hidroviário apresentam vantagens para o transporte de grandes volumes, mas sua expansão depende da disponibilidade de infraestrutura, do avanço das concessões e da concorrência entre os diferentes sistemas de transporte.

Obras previstas podem reduzir custos

Entre os projetos considerados estratégicos estão a duplicação e modernização da BR-163, a implantação da Nova Ferroeste, ligando Maracaju ao Paraná, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai e as obras ligadas à Rota Bioceânica.

Os investimentos previstos somam cerca de R$ 50 bilhões até 2035.

Segundo as projeções apresentadas pela Aprosoja/MS, a conclusão dessas iniciativas poderá reduzir os custos logísticos em até 26%, além de ampliar a capacidade de transporte, aumentar a eficiência do escoamento da safra e fortalecer a competitividade da produção agrícola sul-mato-grossense.