Entre romances que ressurgem ao som de canções populares, futuros atravessados por tecnologia e resistência e imagens que desafiam as convenções do cinema, a oitava edição do Cinema da Boca se despede de Campo Grande. A mostra “Estranho, Excêntrico, Excepcional…” terá três últimas sessões gratuitas nos dias 18, 20 e 23 de setembro, com filmes que percorrem diferentes caminhos da cultura queer.
Realizado pela A Boca Filmes, o projeto ocupa o Teatro do Mundo nas duas primeiras sessões e encerra a programação na Capivas Cervejaria. Além dos filmes, a agenda inclui debates e, na última noite, uma festa com DJ.
A curadoria é assinada por Felipe Feitosa e parte do cinema musical para investigar como experiências, corpos, desejos e identidades LGBTQIAPN+ foram representados em diferentes momentos da produção cinematográfica moderna e contemporânea.
Romance, música e reencontros
A primeira sessão ocorre nesta sexta-feira (18), às 19h, no Teatro do Mundo, com “O Melhor Amigo”, de Allan Deberton. O longa brasileiro acompanha Lucas, um arquiteto que vai a Canoa Quebrada, no Ceará, depois de enfrentar problemas no relacionamento.
A viagem ganha outro rumo quando ele reencontra Felipe, uma antiga paixão da faculdade. O encontro entre os dois movimenta sentimentos que pareciam deixados para trás.
Vinícius Teixeira e Gabriel Fuentes protagonizam o filme, que também tem participações de Cláudia Ohana, Mateus Carrieri, Diego Montez e Gretchen. A trilha reúne músicas conhecidas do público brasileiro, entre elas “Amante Profissional”, “Retratos e Canções”, “Mais uma de Amor (Geme Geme)” e “Escrito nas Estrelas”.
A classificação é de 16 anos e a exibição será seguida de debate.
Para Feitosa, “O Melhor Amigo” é um filme “solar e vibrante”, que dialoga com tradições do cinema brasileiro ao recuperar elementos das chanchadas da Atlântida Cinematográfica em uma história ambientada no litoral cearense.
Ficção científica encontra resistência
No domingo (20), também às 19h, o Cinema da Boca apresenta “Neptune Frost”, dirigido por Anisia Uzeyman e Saul Williams. A sessão será novamente no Teatro do Mundo, com debate após o filme e classificação indicativa de 16 anos.
Misturando ficção científica, musical e fantasia, a produção constrói uma narrativa em que identidade, tecnologia, exploração e resistência se cruzam. A obra amplia o percurso da mostra ao levar a discussão sobre representação queer para um universo visual e narrativo distante das formas convencionais do gênero.
Neptune Frost – Official Trailer
Última sessão termina em festa
O encerramento acontece na quarta-feira (23), às 19h, na Capivas Cervejaria, com a exibição de “Scorpio Rising”, de Kenneth Anger.
O curta integra a vertente experimental da programação e encerra a seleção colocando em primeiro plano outras possibilidades de linguagem e estética para abordar a cultura queer.
Depois da sessão, o público participa da festa de encerramento, com DJ, em um encontro que reúne espectadores, realizadores e parceiros do projeto.
Cinema fora do circuito comercial
Em atividade em Campo Grande desde março de 2022, o Cinema da Boca mantém uma proposta de difusão cinematográfica gratuita, combinando sessões, contextualização, debates e recomendações de filmes que nem sempre encontram espaço no circuito comercial da Capital.
Nesta oitava edição, o cineclube voltou sua atenção ao cinema musical queer e reuniu obras de diferentes períodos, países e linguagens. A seleção procurou colocar em diálogo produções que, cada uma à sua maneira, atravessam questões relacionadas a corpos, desejos, identidades e experiências LGBTQIAPN+.
A proposta, segundo o curador, não é estabelecer uma definição única para o chamado cinema queer, mas abrir espaço para perguntas sobre sua trajetória e suas formas de manifestação.
“O encontro deste gênero rico em extravagância com a cultura queer entregou para a história das imagens em movimento um vasto e complexo grupo de obras, diversas em forma e conteúdo, que se antagonizam e complementam politicamente.”
Feitosa também explica que a mostra não pretende oferecer uma leitura definitiva sobre essa produção.
“O espectador pode esperar encontrar nos nossos filmes não respostas a respeito do que é o cinema queer, mas questões sobre como essa minoria conseguiu se manifestar no cinema ao longo das décadas.”
Além das sessões e dos debates, o projeto disponibiliza catálogo com textos originais sobre os filmes e ações de acessibilidade. O público também recebe pipoca e refrigerante gratuitamente durante as exibições.
Serviço
18 de setembro — 19h
O Melhor Amigo, de Allan Deberton
Longa-metragem | 16 anos
Debate após a sessão
Teatro do Mundo — Rua Barão de Melgaço, 177, Centro, Campo Grande
20 de setembro — 19h
Neptune Frost, de Anisia Uzeyman e Saul Williams
Longa-metragem | 16 anos
Debate após a sessão
Teatro do Mundo — Rua Barão de Melgaço, 177, Centro, Campo Grande
23 de setembro — 19h
Scorpio Rising, de Kenneth Anger
Curta-metragem
Festa de encerramento com DJ
Capivas Cervejaria — Rua Pedro Celestino, 1079, Centro, Campo Grande
Entrada gratuita em todas as sessões.