Há culturas que não cabem dentro de uma fronteira. O chamamé é uma delas. Entre acordes, passos de dança, sotaques e histórias compartilhadas, a tradição que atravessa o Sul da América chega a Campo Grande para quatro dias de encontros entre Brasil, Argentina e Paraguai.

De 17 a 20 de setembro, o 8º Festival Cultural do Chamamé ocupa diferentes espaços da cidade com música, dança, gastronomia, artesanato e concurso de dança. A programação começa no Teatro Aracy Balabanian e segue para a Colônia Paraguaia, no bairro Pioneiros, onde o festival termina no domingo com a tradicional Enchamigada Chamamezeira.

Uma noite para celebrar as raízes

A abertura, na quinta-feira (17), será marcada pela Noite de Gala do Chamamé, das 19h às 23h30, no Centro Cultural José Otávio Guizzo. A entrada será 1 kg de alimento não perecível.

Entre os primeiros nomes a subir ao palco estão Enzo e Bianca Alarcon, de Corrientes, na Argentina, escolhidos como Pareja Oficial do 8º Festival Cultural do Chamamé. A dança terá papel central na noite, em uma programação que também aproxima diferentes expressões da cultura sul-americana.

Às 19h30, o instrumentista brasileiro Marcelo Loureiro apresenta polca paraguaia e guarânia. Na sequência, o público poderá assistir a um fragmento do espetáculo “Pedro Canoero”, com direção de Bárbara Amarilha Albino.

Do Paraguai, o Ballet Folclórico do município de Capiatá leva ao palco uma tradição construída entre música, movimento e memória. O harpista César D’Apollo, de Assunção, também participa da noite, ao lado de Verônica Benitez y Nicolás Gaona, com a “Danza das Botellas”.

A cantora paraguaia Miriam Beatriz completa a programação, que termina com o espetáculo “Brasil, meu Brasil brasileiro – Laços de Amor e Amizade”, produzido e dirigido pela atriz e rainha de bateria Rebecca D’albine.

Quando a música vira encontro

Na sexta-feira (18), a Colônia Paraguaia passa a ser o endereço do festival. Das 19h à 1h30, a noite será conduzida por artistas de diferentes pontos da região e por convidados que chegam da Argentina e do Paraguai.

Paulo & Sérgio Arguelo, de Campo Grande, abrem a programação. Depois, Enzo e Bianca Alarcon retornam ao palco. Às 20h, o harpista Fábio Kaida apresenta seu trabalho.

A noite também terá o Ballet Folclórico de la Municipalidad de Capiatá, Marcos Ferreira e Zulma Quintana, do Instituto Cultural Chamamé MS, Jakeline Sanfoneira, Lito Delgado y Conjunto Folclórico e Los Caminantes del Chamamé.

O fechamento fica por conta do Baile Pantaneiro, com o Grupo Surungo Bueno, de Dourados, aproximando ainda mais o chamamé de outras manifestações musicais que fazem parte da identidade cultural do Estado.

Dança, sabores e tradição

No sábado (19), a festa começa mais cedo. A partir do meio-dia, a Colônia Paraguaia recebe a Feira Gastronômica e de Artesanato, junto à programação que celebra o Dia Estadual do Chamamé.

Às 15h, a dança assume novamente o protagonismo com o Concurso de Dança Chamamé, coordenado pela professora Michele Veruska e pelo professor Fernando Quadros.

A programação artística reúne o Grupo de Dança “Bailar a Dois MS”, Caio Escobar, Pajarito Silvestri y Grupo Enramada, Lito Delgado y Conjunto Folclórico, Ballet Folclórico de Capiatá, Enzo e Bianca Alarcon, Simon Morales, Desidério Souza, com participação especial de Elinho Filho, e Fuelles Correntinos.

A noite termina com Danilo da Gaita & Grupo, de Campo Grande, em mais um Baile Pantaneiro.

 

Foto da galeria Divulgação Foto da galeria Divulgação Foto da galeria Divulgação

Domingo de mesa farta e música

O último dia do festival começa às 10h com a Enchamigada Chamamezeira, encontro tradicional que reúne feira de artesanato, gastronomia e música na Colônia Paraguaia.

A mesa também faz parte da celebração. O almoço terá comida de comitiva, com arroz carreteiro, macarrão de comitiva, ovo frito, feijão gordo, mandioca e salada verde. O ingresso poderá ser adquirido na portaria do local.

A música começa às 11h com Simon Morales, da Argentina. Ao meio-dia, o palco recebe o Grupo Chama Campeira, de Camapuã. Danilo da Gaita se apresenta às 14h, seguido por Desidério Souza, de São Luiz Gonzaga (RS), às 16h.

Às 18h, o Grupo Fama, de Campo Grande, assume a programação antes do encerramento do festival, previsto para as 20h.

Ao reunir artistas, bailarinos, músicos, artesãos e público em torno de uma tradição que circula entre países e gerações, o Festival Cultural do Chamamé transforma Campo Grande, por quatro dias, em ponto de encontro de uma cultura que nasceu atravessando caminhos e continua sendo reinventada a cada música, dança e reunião à mesa.