Três décadas depois de surgir em Campo Grande, a Disharmonical Tempest transforma o próprio passado em ponto de partida para uma nova fase. Após mais de 20 anos longe dos estúdios, a banda retoma oficialmente a trajetória com um EP autointitulado, que chega às plataformas digitais em 18 de setembro de 2026 pelo selo independente AKASHA Records.
O trabalho reúne cinco composições originalmente construídas nos anos 1990 e agora regravadas com novos arranjos e produção de Tarsos Morais. O resultado preserva elementos que marcaram a identidade do grupo, mas incorpora a experiência acumulada pelos músicos ao longo das últimas décadas.
A volta não é apenas uma retomada de catálogo. Para uma banda formada no Centro-Oeste em um período em que o metal extremo brasileiro tinha maior visibilidade nos grandes centros, o lançamento também recupera uma parte da história construída por grupos que ajudaram a ampliar as fronteiras do gênero no país.
Uma história que começou nos anos 1990
A Disharmonical Tempest surgiu em Campo Grande e se tornou uma das pioneiras do death metal melódico brasileiro. Em 1998, lançou de forma independente a demo tape Diatessaron, material que ultrapassou as fronteiras de Mato Grosso do Sul e circulou entre fãs do gênero em diferentes países.
A gravação ganhou posteriormente uma faixa bônus registrada ao vivo durante um show de abertura para a Dorsal Atlântica, nome de referência do metal brasileiro.
Três anos depois, em 2001, a banda participou da coletânea The Winds of a New Millennium Vol.3, da mineira Demise Records. A música escolhida para integrar o lançamento foi Castaway Requiem.
Depois disso, o grupo entrou em um longo período de pausa, que se estenderia por mais de duas décadas.
Documentário ajudou a reabrir o caminho
O reencontro dos integrantes com a trajetória da banda aconteceu em 2024, quando a Disharmonical Tempest foi convidada a participar do documentário Barulho do Mato, produção dedicada à história do heavy metal em Mato Grosso do Sul.
A participação colocou novamente em circulação lembranças, músicas e experiências da fase inicial do grupo. O contato com esse material acabou contribuindo para que os integrantes retomassem a banda e levassem para o estúdio composições que permaneciam ligadas à história do grupo.
A decisão foi regravar cinco músicas antigas, agora com uma produção mais próxima da sonoridade que os integrantes buscavam desde o início.
Peso, melodia e novos arranjos
O EP mantém a combinação entre agressividade e elementos melódicos que caracteriza a Disharmonical Tempest. Guitarras e bateria conduzem uma sonoridade pesada, enquanto os teclados acrescentam referências clássicas e eruditas aos arranjos.
Os vocais guturais completam a estrutura, com uma interpretação marcada pela intensidade. As composições, por sua vez, receberam novas construções e arranjos desenvolvidos a partir da experiência adquirida pelos músicos desde os primeiros anos da banda.
A produção ficou a cargo de Tarsos Morais, que também integra a atual formação no baixo.
Lançamento será seguido por shows
O retorno aos palcos também está nos planos da banda. A previsão é que os primeiros shows aconteçam ainda em 2026, começando pelo evento de lançamento do EP, programado para novembro, em Campo Grande.
Com isso, o grupo pretende levar para o palco a nova versão das músicas que marcaram sua primeira fase e apresentar ao público o resultado do reencontro iniciado dois anos atrás.
Formação atual
- Anderson Freitas – guitarra
- Denis Subtil – teclados
- Fernando Louveira – vocais
- Helder Domingues – guitarra
- Nory Uehara – bateria
- Tarsos Morais – baixo